O mais recente protesto relacionado com a habitação foi convocado pelo Sindicato de Inquilinos e desencadeado pelo despejo de uma mulher de 87 anos do apartamento de Madrid onde vivia há décadas.
Maricarmen Abascal foi despejada, na quarta-feira, da casa onde viveu 70 anos no centro de Madrid pela polícia, em cumprimento de uma ordem judicial que deu razão ao fundo de investimento que comprou o apartamento.
Sob o lema “Nem mais uma Maricarmen”, os manifestantes concentraram-se às 18:30 na Porta do Sol, onde se encontra a sede da Comunidade de Madrid, seguindo dali para Cibeles, onde está situada a Câmara Municipal, e posteriormente para a Carrera de San Jerónimo, onde se encontra o Congresso dos Deputados.
A organização estimou que participaram cerca de 300 mil pessoas, número significativamente superior às estimativas da Delegação do Governo, que ronda os 25 mil.
Os organizadores do protesto exigem ao Governo que inclua no decreto-lei sobre habitação, que poderá ser aprovado na próxima terça-feira, a obrigação de os senhorios apresentarem uma justificação válida para não renovarem o contrato e, caso não o façam, serem obrigados a indemnizar o inquilino.
Em declarações aos jornalistas antes do início do protesto, a eurodeputada do Podemos e número dois do partido, Irene Montero, manifestou a sua preocupação com o facto de o Governo estar a negociar com o Junts e alertou que não aceitarão que seja imposto às pessoas que se manifestam pelo direito à habitação algo contra a sua vontade.
“Desta vez, o ‘trágala’ (expressão espanhola para a obrigação de aceitar algo contra a vontade) tem de ser para os proprietários e para os especuladores”, afirmou Irene Montero, acrescentando que a mensagem da manifestação de hoje “é claríssima”: “o negócio da habitação tem de acabar”.
Também os manifestantes entoaram palavras de ordem no mesmo sentido, gritando “proprietários culpados, Governo responsável”, “não toleramos mais nenhum despejo”, “Ayuso, proprietária, estás na nossa lista” ou “Ayuso, fica a saber: se eu não tenho casa, ocuparei a tua”.
A própria Maricarmen Abascal pediu hoje, a partir do hospital onde está internada, que a manifestação sirva para que “mudem as leis que permitiram” o seu despejo e, por isso, “na terça-feira tem de ser aprovado o decreto-lei para dar um primeiro passo para acabar com este absurdo”, acrescentou.
Num vídeo divulgado na conta do X do Sindicato de Inquilinos, organizador do protesto, Maricarmen quis enviar uma mensagem “a Pedro Sánchez (presidente do Governo), e também às pessoas que a apoiam”, para que aquilo que lhe aconteceu “não aconteça a outras pessoas”.
O Sumar anunciou hoje que está disposto a que os seus cinco ministros não participem na reunião do Conselho de Ministros de terça-feira se não for incluído um pacote de medidas eficazes para fazer face à crise da habitação.
“Não servem remendos”, afirmou o movimento, num comunicado em que sublinhou que “o Governo não pode continuar a manter-se de lado”, nem apresentar “medidas diluídas”.
O Sindicato de Inquilinos convocou as pessoas para acamparem durante a noite na Porta do Sol.

Empresa faz “proposta de urgência” para Maricarmen regressar a casa
A empresa proprietária do apartamento de onde Maricarmen Abascal foi despejada apresentou uma proposta de urgência à Câmara Municipal de Madrid para que a idosa de 87 anos possa regressar a casa. Contudo, a autarquia acabou por recusar a solução por incumprimento legal.
Márcia Guímaro Rodrigues | 20:11 – 25/09/2026



