O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, alertou, esta quarta-feira, que “quanto mais cedo” o ministro da Administração Interna (MAI), Luís Neves, prestar esclarecimentos em relação ao caso das obras do imóvel em Odemira, “melhor”.
“Se o fizesse já, teria a ganhar com os esclarecimentos. Do meu ponto de vista, Luís Neves teria todo o interesse – e seria do interesse para a integridade da autoridade política que está confiada a um dos ministério mais importantes, que é o da Administração Interna, e particularmente num momento crítico como estamos a viver, dos incêndios. Do meu ponto de vista, quando mais cedo fizer os esclarecimentos, melhor”, apontou, em entrevista à CNN Portugal quando questionado sobre se mostrar toda a documentação em falta só quando as obras terminarem é suficiente.
Note-se que também esta quarta-feira o ministrou tornou pública a lista de 108 faturas envolvidas neste negócio, não tendo ainda apresentado os comprovativos de pagamento.
O socialista, que quando era ministro da Administração Interna trabalhou com Luís Neves (na altura diretor da Polícia Judiciária) e que lhe teceu vários elogios, salientou; “Trabalhámos em momentos críticos do país, nomeadamente, na Jornada Mundial da Juventude, no âmbito do próprio Sistema de Segurança Interna. Aquilo que posso dizer é que ele tem décadas de entrega ao serviço público e fê-lo com o reconhecimento dos seus pares como tendo sido um importante e prestigiado dirigente da Polícia Judiciária”.
E Carneiro salientou que acredita que o agora MAI tem a “consciência aguda” da importância de prestar todos os esclarecimentos e da transparência: “É evidente que, mais do que qualquer outra pessoa, sabe da importância do escrutínio democrático para quem desempenha funções de natureza política e da importância que tem esclarecer todas as questões que há para esclarecer. E é isso que eu espero que ele venha a fazer e que esta imprudência que terá sido cometida possa ser devidamente esclarecida e possam todos os elementos serem apresentados, nomeadamente, os termos em que os trabalhos foram contratados, pagos”.
Confrontando se a questão em que o ministro se vê envolvido pode levantar problemas de legalidade ou se é, sobretudo, uma questão de ética política, Carneiro disse, sublinhando que era preciso estar na posse de todos os factos para formular juízos de valor: “Poderão haver as duas questões. Eventuais irregularidades, [mas] é preciso conhecer os factos”.
Quanto a responsabilidades, Carneiro considerou que a responsabilidade será sempre do primeiro-ministro, Luís Montenegro: “Se o Governo falha, é o primeiro-ministro que está a falhar. Viram agora: a seleção não cumpriu os sues objetivos. A quem é que foi atribuída a responsabilidade pela seleção não cumprir os seus objetivos? Ao selecionador nacional. A mesma coisa acontece com o primeiro-ministro”.
O caso em questão foi avançado pelo Nascer do Sol na sexta-feira e em causa estariam obras realizadas por um empreiteiro que também celebrou contratos de dois milhões de euros com a Polícia Judiciária, quando Neves estava no cargo de diretor nacional.
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