“Queremos continuar a trabalhar para reforçar cada vez mais as relações de amizade e de cooperação com Portugal, que tem sido um país amigo, que tem estado na origem da nação cabo-verdiana e tem contribuído desde a hora zero da República, a 05 de julho de 1975, para a construção de um país, para a construção de uma República”, destacou José Maria Neves.
O Presidente cabo-verdiano iniciou na segunda-feira uma visita de quatro dias a Portugal, tendo sido recebido, ao início desta manhã, no salão nobre da Câmara Municipal de Coimbra.
Nesta ocasião, José Maria Neves aludiu à importância da “forte cooperação de Portugal” e recordou as cerimónias da independência e o primeiro acordo de cooperação, que permitiu “a disponibilização dos primeiros recursos para a construção de Cabo Verde”, numa altura em que “o cofre estava completamente vazio”.
“Desde então, a cooperação em áreas essenciais para o desenvolvimento do nosso país, a educação, a saúde e a infraestruturação do país, o ensino superior, a ciência, e milhares de quadros foram formados aqui nas universidades portuguesas, particularmente em Coimbra. E também na área da saúde, milhares de cabo-verdianos, não fossem os hospitais portugueses, não fosse a dimensão da cooperação e a generosidade de Portugal, hoje não teríamos muitas pessoas com a qualidade de vida que têm em Cabo Verde”, reconheceu.
O Presidente da República cabo-verdiano disse ainda que, apesar de hoje se falar muito de reparações, tem insistido que “a melhor forma de reparar é essa cooperação solidária”, que lhes permite “projetar um futuro voltado para a dignidade da pessoa humana”.
“Esta é a melhor reparação: a reparação que tem de ser feita nesta cooperação solidária, mas o trabalho que nós, também líderes africanos temos de fazer para construir a dignidade da pessoa humana. Não é tempo de continuarmos permanentemente a lamentar: há outros muros de lamentações e nós temos de trabalhar, fazer o nosso trabalho de casa, para que os nossos concidadãos vivam melhor”, sustentou.
Ao longo da sua intervenção, José Maria Neves aproveitou ainda para pedir a redinamização da geminação entre Coimbra e a ilha de São Vicente (Mindelo).
“Reforçarmos essas relações de amizade e de cooperação para ainda aproximarmos mais São Vicente e Coimbra, Cabo Verde e Coimbra, Cabo Verde e Portugal”, indicou.
Já a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, considerou que receber a delegação cabo-verdiana tem um significado especial para a cidade e para a região, destacando ainda a importância da língua portuguesa como elemento agregador das comunidades lusófonas.
“Sendo Coimbra um polo central para estudantes e investigadores de todo o espaço lusófono, este ato institucional que agora celebramos sublinha de modo simples, mas firme, a relevância desta cidade como ponto cultural e académico entre Portugal e Cabo Verde”, acrescentou.
A autarca reiterou ainda o desejo de aprofundar a cooperação entre Coimbra e Cabo Verde, defendendo a abertura de novos caminhos de colaboração.
“Em nome do município de Coimbra, agradeço profundamente a honra da sua visita e exprimo o desejo de que este momento constitua mais um passo do aprofundamento da cooperação entre Coimbra e Cabo Verde, abrindo novos caminhos de colaboração, conhecimento e amizade”, concluiu.
O Presidente cabo-verdiano iniciou na segunda-feira uma visita de quatro dias a Portugal, sendo hoje distinguido com a medalha da Universidade de Coimbra, em reconhecimento pelo contributo para a consolidação da democracia e o desenvolvimento de Cabo Verde.
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