“Não prevemos”, disse Nicolas Namias numa conversa com um grupo de jornalistas portugueses em visita à sede do grupo francês BPCE, em Paris.
“Não é uma questão de o BPCE ficar com o capital de 2025, nós pagámos por esse capital”, acrescentou Namias, explicando que o preço pago pelo Novo Banco foi de 6.700 milhões de euros porque já incluía esse valor ou teria sido menor.
No acordo para a venda do Novo Banco ao francês BPCE foi acordado que o fundo de investimento Lone Star e o Estado português (os acionistas do Novo Banco que venderam as suas posições) não receberiam os dividendos referentes a 2025 e ficariam no Novo Banco, ou seja, pertenceriam ao novo acionista (BPCE).
Em 2025, o Novo Banco teve lucros históricos de 828 milhões de euros, pelo que pela política de distribuição de dividendos poderia pagar cerca de 500 milhões de euros.
Na assembleia-geral de março, na proposta de distribuição de resultados, foi aprovado o ponto da não distribuição de dividendos, passando a maioria do lucro para resultados transitados (uma pequena parte ficou em reserva legal, obrigatória por lei).
Como os dividendos ficaram no banco, passaram a pertencer ao grupo francês na concretização da compra (em abril), pelo que poderia fazer um pagamento extraordinário de dividendos, apropriando-se do montante que considerasse adequado.
Segundo Nicolas Namias, essa distribuição não está prevista e o objetivo para o Novo Banco é que cresça em negócio.
“O primeiro objetivo é garantir que o banco tenha capital para crescer nas suas atividades”, disse.
O Novo Banco foi criado em 2014 para ficar com parte da atividade bancária do Banco Espírito Santo (BES) quando, em agosto desse ano, o BES foi alvo de uma medida de resolução face à grave crise em que estava imerso.
Em 2017, a maioria do Novo Banco (75%) foi vendida ao fundo norte-americano Lone Star, tendo o Estado português ficado com 25%.
Era conhecido que o objetivo do Lone Star seria pôr o banco a dar lucro rapidamente para o vender a médio prazo com mais-valia, o que aconteceu em final de abril por 6.700 milhões de euros.
A Lone Star encaixou cerca de 5.000 milhões de euros (que se somou a dividendos passados) e o Estado português 1.673 milhões de euros (o que somado aos dividendos já recebidos permitiu aos cofres públicos recuperar cerca de 2.000 milhões de euros injetados no banco).
Segundo cálculos feitos pela Lusa, a resolução do BES custou até agora cerca de 8.000 milhões de euros aos cofres públicos (resultado, sobretudo, da capitalização inicial do Novo Banco e das recapitalizações feitas pelo Fundo de Resolução).
O Banque Populaire Caisse d’Epargne (BPCE) é o segundo grupo bancário em França e o quarto maior na zona euro.
Antes de comprar o Novo Banco, já operava em Portugal no crédito ao consumo e na banca de investimento (detém o centro tecnológico da Natixis no Porto, com cerca de 2.500 empregados) mas a compra do Novo Banco marcou a entrada na banca de retalho em Portugal.
Segundo o BPCE, a compra do Novo Banco foi a “maior aquisição bancária transfronteiriça na área do euro em mais de dez anos.
Leia Também: Grupo francês quer equilíbrio entre lucros e crescimento do Novo Banco



