Um homem foi condenado a seis anos de prisão na Bélgica por negligência culposa que resultou na morte da sua companheira. A mulher foi encontrada pelas autoridades com pouco mais de 24 quilos de peso.
O caso foi descoberto a 19 de janeiro de 2025 quando o homem ligou para as autoridades, alertando que o estado de saúde da namorada “tinha piorado repentinamente e de forma significativa”, conta o 7sur7. Quando as autoridades chegaram ao local, o que descobriram era “inimaginável”, afirmou o procurador nas suas alegações finais durante o julgamento.
“A mulher estava fisicamente debilitada, a casa em desordem. Ela tinha feridas abertas que expunham os seus ossos. Ela estava coberta de excrementos secos e usava uma fralda com mais de dois quilos de fezes”, descreveu o procurador. “Ela foi levada para o hospital, mas morreu algumas horas depois. A autópsia revelou que ela pesava apenas 24,10 quilos e tinha 1,65 metros de altura”, acrescentou.
Durante o julgamento, o homem defendeu que nunca se tinha apercebido da gravidade do estado de saúde da vítima, alegando que a namorada lhe pedia que não chamasse ajuda. Contudo, mensagens entre os dois rapidamente revelaram que esta versão dos factos não correspondia à verdade. Em várias conversas, a mulher terá confessado ao namorado que estava em sofrimento, pedindo-lhe reiteradamente ajuda e chegando mesmo a pedir para ser internada.
“A morte aconteceu após um estado geral de extrema fraqueza. Ela desenvolveu septicemia, que causou o envenenamento do seu organismo”, explicou o procurador. “A palavra «repugnante» não chega nem perto de descrever o comportamento dele [do namorado]; é o seu dever fundamental, enquanto ser humano, ajudar quem está em tamanho sofrimento”, frisou.
Já o advogado de defesa do homem, rejeitou a acusação de que houvesse negligência culposa, alegando que houve apenas uma “omissão de socorro”: “Tratava-se de uma assistência informal que se intensificou. Ele não aguentou mais. Chegou ao seu limite”, defendeu.
“Isto não é uma justificação, é uma explicação do que aconteceu. No entanto, é impreciso dizer que ele não fez nada quando ela lhe enviou a mensagem”, argumentou. “Só porque não houve uma resposta não significa que ele não tenha feito nada. Ele ia frequentemente lá a casa para a ajudar, mas, claro, não há registo dessas visitas. A mulher não queria que ele chamasse uma ambulância, por isso, ele não a chamou – agora entende que o deveria ter feito”, acrescentou ainda o advogado.
O caso envolve ainda um médico que sem nunca conhecer ou ter falado com a mulher, receitou narcóticos, nomeadamente morfina, à vítima. O médico foi condenado a seis meses de pena suspensa, enquanto que o namorado recebeu uma pena de seis anos de prisão.
O homem está ainda a ser julgado por fraude informática depois de ter transferido quase 9 mil euros da conta bancária da mulher para a sua um dia após a sua morte.
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