Numa reação à conferência de imprensa de Luís Neves, que hoje falou sobre os casos em que se viu envolvido nas últimas semanas, o líder bloquista disse, em Coimbra, que os esclarecimentos são “evidentemente tardios” e que o país “quer documentação”.
“Os esclarecimentos prestados tinham de ser mais cabais e não apenas cingidos a esta interpretação de factos. Em primeiro lugar exige-se que o MAI apresente ao país documentação que comprove a sua versão dos factos mais importantes que sublinhou”, sustentou.
Aos jornalistas, José Manuel Pureza frisou que o país não teve oportunidade de ouvir do ministro “mais do que a sua versão, porque PSD e CDS-PP impediram que a Comissão Permanente da Assembleia da República viesse a reunir especificamente para ouvir Luís Neves”.
“O presidente da Assembleia da República não quis contrariar essa estratégia de bloqueamento dos dois partidos do Governo, dando assim a mão a um silenciamento que de todo é aceitável na democracia portuguesa”, salientou.
O coordenador do BE criticou a “espantosa informalidade com que, em Portugal, instituições tão cruciais para o Estado de direito como a Polícia Judiciária (PJ) têm vindo a trabalhar”.
Para José Manuel Pureza, “toda esta relação entre um empreiteiro que faz obras para a PJ e que a seguir está também a fazer obras privadas para a pessoa que na altura era diretor da PJ é qualquer coisa que ultrapassa tudo quanto é exigível numa democracia madura e num Estado que se leva a sério”.
“Fica patente na conferência de hoje [de Luís Neves], que essa informalidade se presta a todo o tipo de abusos e de posições não aceitáveis”, sublinhou.
Considerando ter sido importante o MAI ter dado alguns esclarecimentos ao país, o líder bloquista entende que há uma parte importante que está por esclarecer e que tem a ver “com a base documental”, além de que está por saber “que tipo e ilações o país vai tirar de mais uma situação de informalidade que apouca a democracia portuguesa”.
Na conferência de imprensa, Luís Neves falou sobre a contratação de um empreiteiro, da Construbarcelos, que trabalhou para a PJ, quando era diretor nacional, para fazer obras numa sua propriedade familiar em Odemira, mas também sobre o aparecimento de um atrelado com bidões de químicos utilizados no fabrico de droga nas instalações desse mesmo empreiteiro e, ainda, sobre as falhas na entrega das declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional.
[Notícia atualizada às 20h20]
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