A intenção de contratar uma entidade especializada para realizar um inventário socioeconómico e geoespacial das atividades existentes na área concessionada consta de uma manifestação de interesse lançada pela empresa e consultada pela Lusa.
A HCB justifica a iniciativa com o crescimento registado nos últimos anos das atividades desenvolvidas por comunidades, operadores económicos e outras entidades na área da albufeira, defendendo a necessidade de informação “atualizada, fiável e georreferenciada” sobre a ocupação e utilização do território.
A barragem de Cahora Bassa localiza-se na província de Tete, sobre o rio Zambeze, e a sua albufeira, considerada uma das maiores de África, estende-se por cerca de 270 quilómetros de comprimento, ocupando aproximadamente 2.665 quilómetros quadrados ao nível máximo de armazenamento.
De acordo com a HCB, o inventário deverá permitir a criação de uma base de dados atualizada e georreferenciada, destinada a apoiar a gestão integrada da albufeira, o ordenamento territorial, a avaliação de riscos e conflitos de uso e a articulação com comunidades e outras partes interessadas.
O trabalho incluirá a inventariação e caracterização dos utilizadores da área de concessão, o levantamento das atividades socioeconómicas existentes, a identificação de ocupações, infraestruturas e títulos atribuídos, bem como uma avaliação preliminar de potenciais riscos e conflitos relacionados com a utilização do espaço.
A empresa pretende ainda que o levantamento resulte em recomendações para a gestão integrada da área e em ações de sensibilização e envolvimento das comunidades abrangidas.
“A HCB é detentora de uma área de concessão destinada à exploração do empreendimento, cuja gestão sustentável é estratégica para a conservação e utilização adequada dos recursos hídricos da albufeira de Cahora Bassa, essencial para a geração de energia hidroelétrica”, lê-se.
A HCB opera a barragem de Cahora Bassa, principal centro produtor de eletricidade de Moçambique e um dos maiores empreendimentos hidroelétricos de África, abastecendo o mercado nacional e vários países da África Austral.
A Lusa noticiou anteriormente que a empresa prevê investir cerca de 1.200 milhões de euros na modernização das infraestruturas de produção e transporte de energia.
Segundo o Relatório e Contas de 2025, a HCB assinou com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) uma linha de crédito de 100 milhões de euros destinada ao financiamento do projeto de reabilitação e modernização da Central Sul, integrado no programa CAPEX Vital.
O plano global, com duração prevista de dez anos, envolve investimentos na reabilitação dos principais sistemas de produção e transporte de energia, incluindo a central hidroelétrica e a subestação conversora do Songo. A reabilitação do primeiro dos cinco grupos geradores deverá arrancar em 2028, ao ritmo de um por ano.
A HCB deverá igualmente beneficiar de uma subvenção da União Europeia para financiar iniciativas relacionadas com gestão hídrica, formação profissional, digitalização, cibersegurança, reforço das linhas de transporte de energia e implementação de políticas de género.
O complexo integra atualmente a Central Sul, em operação, com capacidade instalada de 2.075 megawatts, e uma Central Norte projetada, com potencial para acrescentar até 1.200 megawatts de capacidade de produção, além da subestação conversora do Songo e das infraestruturas de transporte associadas. Prevê ainda uma central solar na área do aproveitamento hidroelétrico.
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