Numa nota de conjuntura hoje divulgada, a associação sublinha que, entre 2019 e 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) português “cresceu 8,3% em termos acumulados, enquanto a produtividade só subiu 2,8% em termos reais” e que em 2025 “até caiu 0,4%”.
Entretanto, “o salário mínimo subiu 26% em termos reais, quase dez vezes mais”, pelo que, para a associação, “não há condições para rever o que foi acordado [na Concertação Social] em termos do salário mínimo”.
Mais à frente, numa análise do economista Pedro Braz Teixeira, a associação refere que “os dados conhecidos e os estimados apontam para um crescimento do PIB inferior ao inicialmente previsto, qualquer que seja a instituição” e adverte que, ao mesmo tempo, “a recente revisão em alta dos dados da população deverá levar a rever em alta os dados do mercado de trabalho e em baixa a produtividade”.
De seguida, acrescenta que “o aumento de 50 euros para 2027 do salário mínimo já não estava em linha com o aumento previsto da produtividade, pelo que agora é ainda mais arriscado”.
O fórum refere-se às implicações económicas da revisão das estimativas da população em Portugal, na sequência de, em 22 de junho, o Instituto Nacional de Estatística (INE) ter atualizado o número de residentes em Portugal para 11.424.031 pessoas, pela contabilização de 1.597.539 pessoas estrangeiras.
O INE confirmou, na altura, que a alteração “tem impacto em diversas operações estatísticas do INE, nomeadamente na calibração (extrapolação) dos resultados de inquéritos por amostragem, com destaque para o inquérito ao Emprego”, implicando uma reavaliação das contas nacionais.
Para o Forum para a Competitividade, um aumento ainda mais elevado do salário mínimo “não deveria acontecer, também porque agravaria a compressão salarial”.
“Um aspeto menos referido da compressão salarial é a frustração sentida por milhões de trabalhadores, com 20 e 30 anos de experiência, por ganharem pouco mais do que aqueles que se iniciam no trabalho, que começam com o salário mínimo”, considera.
Em vez de aumentos administrativos do salário mínimo, “o que é necessário é melhorar a produtividade em geral, para que possa haver um aumento generalizado, sustentável e saudável das remunerações”, refere-se ainda na nota de conjuntura.
O Acordo Tripartido Sobre Valorização Salarial e Crescimento Económico 2025-2028, que o Governo de Luís Montenegro (PSD/CDS-PP) assinou com as quatro confederações patronais e com a UGT em outubro de 2024, prevê que o salário mínimo suba 50 euros em 2027 (5,4%), dos atuais 920 para 970 euros, e uma nova atualização de 50 euros em 2028 (5,2%), para 1.020 euros.
A nota de conjuntura, da responsabilidade do Forum para a Competitividade, esclarece que inclui informação publicada até hoje.
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