“O que o regime ucraniano está a fazer já nem sequer pode ser qualificado como pirataria, porque os piratas saqueiam e ficam com o saque. Mas aqui o objetivo é apenas causar danos e intimidar”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, em declarações em Moscovo e divulgadas pela agência de notícias russa TASS.
Ao insistir que as ações da Ucrânia são “puro terrorismo”, o chefe da diplomacia russa afirmou que Moscovo está a trabalhar “para neutralizar as ameaças que a Ucrânia representa para a livre navegação nos mares de Azov e Negro”.
“O Presidente Vladimir Putin está a trabalhar para pôr fim a tudo isto”, garantiu Lavrov, no final de uma reunião com o homólogo do Chade, Abdoulaye Sabre Fadoul.
O chefe da diplomacia russo acusou ainda a Ucrânia de estar a realizar estas ações “de terrorismo” não apenas no mar de Azov e no mar Negro, mas “também no continente africano”, onde, prosseguiu, Kiev se tem aliado “a extremistas africanos que tentam derrubar governos legítimos em África”.
As declarações de Lavrov surgiram poucas horas depois de Kiev ter confirmado que as unidades de drones do exército ucraniano atingiram mais cinco petroleiros russos, quatro navios de carga e um rebocador no mar de Azov na última noite.
O comandante das Unidades de Drones das Forças Armadas da Ucrânia, Robert Brovdi, disse que, em nove dias, foram atacadas 116 embarcações da chamada “frota fantasma”.
Brovdi referiu que as embarcações alvo da campanha no mar de Azov — mar interior separado do mar Negro pela península da Crimeia, ocupada pela Rússia — são de pequena a média dimensão.
A Rússia utiliza as embarcações para transportar petróleo bruto destinado à exportação até navios-tanque de maiores dimensões, que não conseguem entrar nos portos do mar de Azov devido à dimensão.
O responsável ucraniano observou que são necessários entre 12 e 15 destes pequenos navios-tanque, atualmente atacados pela Ucrânia no mar de Azov, para encher um dos grandes navios que recebem as transferências de petróleo no mar Negro.
Além de reduzirem a capacidade da Rússia de realizar operações de transferência de crude para exportação no mar Negro, acrescentou Brovdi, os ataques privam a Rússia dos petroleiros necessários para transportar combustível por via marítima para a Crimeia.
A península já sofre de uma grave escassez de recursos estratégicos após ataques ucranianos anteriores à infraestrutura logística e energética russa.
Brovdi indicou que os ataques aos navios-tanque estão a obrigar a Rússia a aumentar o transporte de combustível por ferrovia e rodovia, meios de transporte também vulneráveis aos ataques de drones ucranianos.
Nos últimos três meses, a Ucrânia intensificou substancialmente os ataques com drones de curto e médio alcance, atingindo dezenas de alvos militares e estratégicos russos todas as noites, tanto na Crimeia como nas zonas ocupadas do sul do território continental ucraniano.
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