Se precisa de abastecer, o melhor é aproveitar este domingo para passar na bomba, já que tanto o gasóleo como a gasolina vão voltar a ficar mais caros no início da próxima semana.
Significa isto que ainda não é desta que os preços dos combustíveis aliviam, depois de a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, já ter questionado o motivo pelo qual os valores não baixam ao mesmo ritmo a que sobem.
O gasóleo deverá encarecer três cêntimos e a gasolina dois, de acordo com as previsões divulgada na sexta-feira pelo Automóvel Club de Portugal. (ACP).
“Caso se confirmem as previsões para a próxima semana, o preço médio do diesel vai subir para 1,798 euros por litro, enquanto a gasolina vai aumentar para 1,897 euros por litro”, explica o ACP, num artigo publicado no seu site.
Sublinha ainda que “esta previsão consiste em valores médios tendo como base os preços da matéria-prima no fecho dos mercados da última quinta-feira”, ora, “havendo oscilações nas cotações do crude e dos combustíveis até ao final desta sexta-feira, poderá ocorrer alguma variação de preços face ao previsto”.
Mais: “Pode ainda encontrar postos de combustível com variações de preços diferentes, uma vez que este setor, e consequentemente a sua política de preços, está liberalizado”.
ENSE aponta dois motivos para combustíveis não baixarem tanto
A Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) apontou os custos fixos da refinação e a escassez de armazenagem na Europa como fatores para explicar uma redução mais lenta dos preços dos combustíveis face à descida da matéria-prima.
Questionada pela Lusa, na sequência das declarações da ministra do Ambiente e Energia, que disse ter pedido à ENSE para analisar a evolução dos preços dos combustíveis, a entidade não concretizou se já existe uma análise específica em curso, limitando-se a referir que acompanha semanalmente os Preços de Venda ao Público (PVP) e os Preços de Referência (PR) dos combustíveis.
“A ENSE acompanha semanalmente a evolução dos designados Preços de Venda a Público (PVP) e Preços de Referência (PR) dos combustíveis, para apoio nomeadamente ao regulador com competências em preços, a ERSE [Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos]”, respondeu a entidade.
Segundo a ENSE, os aspetos avaliados são a evolução dos custos do produto refinado no mercado internacional, incluindo o preço CIF – que agrega custo, seguro e frete – e o transporte primário/frete marítimo, os custos de bioenergia, nomeadamente biocombustíveis, e a evolução fiscal, incluindo o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) e o IVA.
Questionada sobre se existe alguma conclusão preliminar quanto às razões pelas quais os preços não estarão a descer ao mesmo ritmo a que subiram, a ENSE indicou que os preços de custo dos produtos refinados aumentaram entre 25%, no caso do gasóleo, e 35%, no caso da gasolina, desde o início da crise de Ormuz.
A entidade, que tem competências de fiscalização e supervisão no setor energético, incluindo na área dos combustíveis, acrescentou que a carga fiscal permitiu reduzir o impacto daquela evolução, por se ter mantido “praticamente” nos mesmos níveis durante o período em causa.
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