A aprovação da Prestação Social Única (PSU) votação final global no Parlamento foi um dos temas da rubrica semanal de João Cotrim de Figueiredo, na SIC Notícias, com o eurodeputado a considerar que o PS “é um parceiro [do Governo] assim um bocadinho a contragosto”. De lembrar que a abstenção dos socialistas, na passada quinta-feira, permitiu a ‘luz verde’ à proposta.
“É um parceiro assim um bocadinho a contragosto, foi contactado na véspera para ver se viabilizava – conseguiu que as regras das chamadas ‘atividades de solidariedade’, aquelas 15 horas por semana que os beneficiários da Prestação Social Única podem ter de fazer fosse suavizada, e excluísse os doentes oncológicos e outras pessoas com deficiências graves – muito bem”, começou por assinalar Cotrim de Figueiredo, no espaço “Visto Assim”.
O ex-líder da Iniciativa Liberal salientou ainda que o PS “conseguiu também que se excluísse o canal de denúncias”, mas apontou haver algo que “não percebe muito bem”, uma vez que o “canal de denúncias foi considerado uma ‘bufaria’ e uma ‘perseguição social’, mas o PS tem um canal de denúncias interno.”
“Aliás, José Luís Carneiro, quando foi reeleito em fevereiro, na moção de estratégia tinha lá: Conselho de Ética, para os militantes e para os eleitos pelo PS, e incluía um canal de denúncias. Internamente já não é ‘bufaria’, cá fora é“, denotou.
O eurodeputado prosseguiu a análise sobre a aprovação da PSU, vincando: “Faz-me a maior das confusões e faz-me, sobretudo, confusão o argumento usado – por isso é que digo que é um parceiro mais ou menos a contragosto – de que isto está no PRR, nós negociámos, vamos ter de aprovar isto“.
Já quando questionado sobre se esta Prestação Social Única que foi aprovada é a PSU do PS, Cotrim Figueiredo foi taxativo: “É, genericamente é”. “Aliás, do que estava lá inicialmente do Governo não sei se mudou muita coisa relativamente àquilo que estava negociado para o PRR”.
“Basicamente o que dizem é: ‘Se nós não aprovarmos isso não recebemos 620 milhões de euros’. A pergunta é: Nós só fazemos reformas quando há pressão externa? Quando alguém nos diz que se não fizermos algum mal nos acontece?“, questionou.
E terminou: “Francamente, não entendo esta forma de governar que exige que as evidências se atirem ao pescoço antes de fazermos alguma coisa.”
De recordar que a proposta que autoriza o Governo a criar a PSU foi votada na sessão plenária de quinta-feira, no Parlamento, e, na votação final global, obteve os votos favoráveis de PSD e CDS-PP, abstenção da IL e PS e votos contra do Chega, Livre, PCP, BE, PAN e JPP.
Na generalidade, a votação foi semelhante, com mudança apenas no sentido de voto da bancada liberal, que tinha votado a favor.
O documento aprovado resulta de um acordo alcançado na passada quarta-feira entre os partidos do Executivo e do PS, que levou à substituição do texto da proposta inicial do Governo sobre a PSU, aprovada em Conselho de Ministros no final de maio e entregue no Parlamento no início de junho.
Com a aprovação da proposta, fica garantido o cumprimento de uma meta do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o que permite a Portugal submeter o pedido de libertação de 620 milhões de euros.

PSU aprovada no Parlamento. PS absteve-se, Chega votou contra
O Parlamento aprovou hoje, na generalidade e em votação final global, a proposta de lei que autoriza o Governo a criar a Prestação Social Única (PSU), após um acordo entre PSD/CDS-PP e PS.
Notícias ao Minuto com Lusa | 18:07 – 25/06/2026



