A circulação na linha ferroviária da Beira Baixa, parcialmente suspensa devido a danos provocados pelas tempestades do início do ano, será retomada no próximo dia 20 de setembro entre as estações de Mouriscas-A e Ródão, anunciou esta quinta-feira a Infraestruturas de Portugal (IP).
Em comunicado, a IP informa que esta reabertura permitirá à CP – Comboios de Portugal e aos operadores ferroviários de mercadorias “retomar a circulação neste troço, interrompido na sequência dos danos provocados pelos fenómenos meteorológicos extremos associados à tempestade ‘Kristin'”.
Com esta reabertura, serão repostos os serviços Regionais e Intercidades, em toda a extensão da Linha da Beira Baixa, sendo igualmente reforçada a capacidade da rede ferroviária nacional “garantindo a redundância com a Linha da Beira Alta para o transporte ferroviário internacional de mercadorias”, adianta a empresa.
A recuperação da infraestrutura custou 3,4 milhões de euros.
A IP recorda que a intervenção foi necessária “na sequência de dois deslizamentos de terras, entre os quilómetros 39,150 e 39,270, que provocaram instabilidade na plataforma ferroviária e obrigaram à suspensão da circulação”
A empresa explica ainda que a obra decorreu “em condições particularmente exigentes, devido ao acesso limitado ao local, à instabilidade da plataforma ferroviária, ao reduzido espaço disponível para a movimentação de equipamentos e às dificuldades no transporte de materiais, agravadas pelas elevadas temperaturas registadas durante a execução dos trabalhos”.
Por outro lado, os trabalhos incluíram “a estabilização dos taludes, com a aplicação de cerca de 5 500 m³ de enrocamento, a construção de duas estruturas em betão armado fundadas em microestacas para reforço da plataforma ferroviária e de uma viga de coroamento intermédia, entre as duas estruturas, bem como a reabilitação e melhoria do sistema de drenagem, incluindo passagens hidráulicas”.
“Foi ainda realizada a reposição integral da via-férrea, das telecomunicações, dos sistemas de terras e das restantes infraestruturas ferroviárias afetadas”, detalha o mesmo comunicado.
A intervenção permitiu, por isso, reforçar as condições de segurança da infraestrutura.
Para Paulo Carmona, presidente da Infraestruturas de Portugal, a reabertura da linha da Beira Baixa representa “muito mais do que a conclusão de uma obra”, mas o regresso de “uma ligação ferroviária essencial para as populações, depois da interrupção provocada pelas intempéries”.
O secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, já tinha anunciado, em julho, que a circulação na linha ferroviária da Beira Baixa poderia ser reaberta em setembro ou outubro, “um bocadinho antes daquilo que estávamos a pensar”.
A Linha da Beira Baixa é uma ligação ferroviária com cerca de 240 quilómetros (km) que une o Entroncamento à Guarda, passando por Abrantes, Castelo Branco e Covilhã.
Na sequência das condições climatéricas adversas que se fizeram sentir no mês de fevereiro e consequentes danos na infraestrutura ferroviária, a circulação de comboios está parcialmente suspensa nesta linha.
Segundo informação disponibilizada no ‘site’ oficial da empresa Comboios de Portugal, desde dia 16 de março e enquanto decorrerem as intervenções de reparação da via, é efetuado serviço rodoviário de substituição aos comboios de serviço Intercidades, entre Abrantes-Guarda, bem como aos de serviço Regional entre Mouriscas A-Vila Velha de Ródão.
A partir de 11 de julho o serviço rodoviário de substituição aos comboios Intercidades passou também a parar em Belmonte.
Os comboios Regionais circulam entre o Entroncamento e Mouriscas A e entre Vila Velha de Ródão e Castelo Branco e os Intercidades circulam entre Lisboa-Santa Apolónia e Abrantes.
As tempestades afetaram também a Linha do Oeste que segundo o secretário de Estado da Infraestruturas, deverá ter a circulação normalizada em janeiro de 2027.
Portugal foi atingindo por um comboio de tempestades no início do ano. Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metades das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.
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