O ainda porta-voz e deputado do Livre, Rui Tavares, afirmou, esta quarta-feira, que o panorama político tem vindo a ser “rebaixado”, apontando que a nova estratégia do partido é “salvar a política portuguesa” e dar “alternativas às pessoas”.
Rui Tavares deixará de ser porta-voz do Livre em breve, e o partido irá escolher uma nova liderança no congresso, que se realiza este fim de semana.
“Os membros do Livre vão escolher qual é a estratégia que o partido deve seguir nos próximos anos. A política portuguesa está num buraco muito perigoso, o discurso político foi rebaixado. É hoje em dia muito agressivo, insultuoso, mal educado”, começou por dizer, na Grande Entrevista, da RTP Notícias, quando questionado sobre o que vai mudar no partido.
Para Rui Tavares, “não há coisa mais triste do que um deputado da Assembleia da República encontrar os seus concidadãos na rua e as pessoas virem dizer que o que se passa na Assembleia é um circo, é uma palhaçada”, tendo inclusivamente apontado o dedo ao partido de André Ventura que “ao chegar ao Parlamento fez isso com um, 12 deputados e agora com 60 deputados”.
Questionado sobre se isso tem contribuído para a má imagem do Parlamento junto dos portugueses, o porta-voz do Livre salientou que “contribuiu e é intencional”.
Sobre qual será a nova função que desempenhará no partido, o deputado sublinhou: “Ao contrário de Roberto Martínez, nós acreditamos em rodar pontas de lança”. E, quando questionado se ia ‘para o banco’, Rui Tavares referiu que irá “para uma função que tem um nome, um pelouro de Estratégia, Comunicação e Formação”.
Note-se que Isabel Mendes Lopes manter-se-á como porta-voz do Livre e para o lugar de Rui Tavares deverá ser eleito Jorge Pinto, antigo candidato das eleições presidenciais de 2026. “A novidade com esta lista que se apresenta às eleições é que designa antecipadamente com transparência quais é que são os papéis”, reforçou.
Rui Tavares adiantou também que o Livre considera que “o partido deve ter um secretário-geral” e que, por isso, foi apresentado o nome de Tomás Cardoso para esse papel, justificando esta decisão com o aumento do partido. “Quintuplicou. Nós queremos continuar a crescer e, portanto, é importante cuidar dessa parte”, esclareceu.
Quanto à sua saída, Rui Tavares salientou que sempre recusou “a ideia de líder do Livre” e que, normalmente, as pessoas saem da liderança a seguir a derrotas eleitorais ou escândalos, notando que não é o seu caso.
“No meu caso, nós temos limitação de mandatos. Fiz dois mandatos na direção, posso fazer um terceiro”, disse, acrescentando que não quis fazer este terceiro mandato como co-porta-voz por não querer sair “porque tinha um prazo em cima”.
“Queria deixar que outros, que acho que estão em melhores condições que eu – Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto – fizessem esse papel”, apontou.

Rui Tavares abandona liderança do Livre. Jorge Pinto será sucessor
O porta-voz do Livre Rui Tavares vai deixar a liderança do partido, mantendo-se como deputado, mantendo-se na lista à direção no congresso de julho, com Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto a avançarem em candidatura conjunta ao cargo de porta-vozes.
Ana Teresa Banha com Lusa | 10:37 – 26/06/2026



