O presidente do Chega, André Ventura, adiou para amanhã uma decisão sobre a apresentação de uma moção de censura ao Governo, no âmbito das polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves.
A notícia é avançada pela RTP, a quem o líder do Chega afirmou, esta tarde, que ainda não tomou “nenhuma decisão sobre isso”.
“Estou a fazer várias reuniões com os deputados e membros da comissão permanente”, declarou, adiantando que também já falou com o Presidente da República, António José Seguro.
“Acho, em todo o caso, inqualificáveis as declarações do ministro da Administração Interna. Acho que é de uma arrogância, de um ‘quero, posso e mando’, de uma incapacidade de dar explicações brutal, mas amanhã provavelmente falaremos sobre isso”, afirmou à mesma estação de televisão.
Antes, após as declarações de Luís Neves, André Ventura já tinha reagido nas redes sociais, questionando o que saberá Luís Neves sobre o primeiro-ministro, Luís Montenegro.
“Impressionante. Inenarrável. Inqualificável!”, classificou.
Impressionante. Inenarrável. Inqualificável! O que saberá Luís Neves sobre o Primeiro-Ministro? pic.twitter.com/cbATg6d7Ac
— André Ventura (@AndreCVentura) September 1, 2026
Na segunda-feira, o líder do Chega disse que reuniria hoje os órgãos do partido para decidir sobre a apresentação de uma moção de censura ao Governo.
Na semana passada, o líder do Chega já tinha admitido avançar com uma moção de censura caso o primeiro-ministro não resolvesse a situação do ministro da Administração Interna, que considerou ter atingido um nível “grotesco” e “inaceitável”.
Interrogado sobre se admitia recuar na apresentação desta moção caso as explicações de hoje do ministro fossem esclarecedoras, André Ventura considerou essa hipótese difícil, fazendo referência à polémica com um atrelado apreendido numa operação contra tráfico de droga e descoberto numa empresa contratada pela PJ (quando Luís Neves liderava a PJ) e pelo governante, e o facto de Luís Neves conduzir um carro apreendido pela polícia.
“Quer dizer, se parece um gato, se anda como um gato, se mia como um gato, é um gato, como se costuma dizer”, afirmou Ventura.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou hoje que tem sido alvo de insinuações e mentiras, mas que não se deixará intimidar e continuará a governar e a trabalhar.
“A mim não me intimidam, jamais me intimidarão”, afirmou Luís Neves na cerimónia de comemoração dos 148 anos do Comando Regional da PSP da Madeira, que decorreu em Câmara de Lobos.
O ministro defendeu que tem autoridade para continuar a governar e acusou o presidente do Chega, André Ventura, de lançar “o caos, porque dá jeito”.
[Notícia atualizada às 19h46]

Carros, sofás, televisões. Que diz a lei sobre o uso de bens apreendidos?
Luís Neves, que conduz atualmente um carro apreendido ao traficante de droga Rúben Oliveira, mais conhecido como Xuxas, escuda-se numa legislação de 2007 para explicar a utilização deste e de outros bens por parte das forças policiais. Mas o que diz essa lei?
Tomásia Sousa | 18:04 – 01/09/2026



