“O mundo atravessa uma crise energética de desfecho incerto. Neste contexto, o reino atuou como garante da segurança energética mundial graças à sua capacidade de fornecer petróleo aos mercados internacionais, apesar da escalada [das tensões]”, frisou Bin Salman no seu discurso anual ao Conselho da Shura, órgão consultivo do governo do país, proferido em nome do rei Salman.
O também primeiro-ministro saudita referiu-se, assim, à forma como a petrolífera estatal saudita Aramco continuou a responder aos pedidos, apesar de algumas interrupções provocadas por ataques cruzados nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb no meio das hostilidades que afetaram vários países do Médio Oriente.
O presidente e CEO da Aramco, Amin Nasser, alertou este mês que a situação energética mundial “não está a melhorar”, pois acredita que medidas como a libertação de reservas de petróleo de emergência pela Agência Internacional de Energia e a redução das importações de petróleo pela China apenas mascararam a gravidade da perturbação do mercado.
As declarações de Bin Salman surgem também poucos dias após o retomar das exportações pelo oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, que tinha suspendido as operações durante duas semanas devido a ataques atribuídos a milícias iraquianas pró-Irão.
Este oleoduto permitiu ao reino contornar o estreito de Ormuz, enviando petróleo bruto dos seus campos no leste do país para terminais de exportação no Mar Vermelho.
“As agressões dirigidas contra os países do Conselho de Cooperação do Golfo confirmam que a estabilidade do golfo é indivisível. Trabalhamos em conjunto com os nossos irmãos para preservar a segurança do Golfo e avançar para uma cooperação estratégica e integração económica”, apontou Bin Salman.
O príncipe herdeiro destacou ainda o apoio ao governo iemenita reconhecido internacionalmente, através da coligação militar liderada por Riade, para fazer face “às agressões das milícias houthis terroristas”.
“Os acontecimentos que a região atravessa atualmente demonstram que o planeamento a longo prazo não significa imobilidade nem estagnação, mas sim capacidade de adaptação às mudanças”, destacou.
Ao mesmo tempo, assegurou que estão a ser feitos “todos os esforços possíveis para reduzir a escalada e apoiar soluções diplomáticas”, embora tenha avisado que não hesitarão “em responder com firmeza a qualquer ameaça ou agressão” contra o reino.
Desde o início da guerra, o Irão mantém bloqueado o estreito de Ormuz, ao que os Estados Unidos responderam com um cerco naval a portos e navios iranianos e medidas para tentar asfixiar a economia da República Islâmica.
As perturbações na navegação no estreito causaram aumentos de preços em muitos países e originaram o receio de uma crise a nível global.
A Arábia Saudita tem sido alvo, há várias semanas, de ataques dos houthis, movimento iemenita apoiado pelo Irão, contra navios-tanque, instalações petrolíferas, aeroportos e a própria capital saudita.
Os houthis controlam atualmente a capital do Iémen, Sana, e toda a costa do país no Mar Vermelho.
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