O conceito de “cafés com animais” no Japão é conhecido mundialmente, mas encontra-se a passar por uma intensa transformação.
No centro desta mudança, está o facto de o país ter iniciado o primeiro levantamento nacional de cafés com animais, motivado pelo crescimento das preocupações com o bem-estar animal, higiene e saúde pública.
A recolha de dados tem início este mês e pretende não só registar o número de espaços, como perceber que tipos de animais abrigam, as condições em que são mantidos, bem como a forma como os visitantes interagem com eles.
Como lembra a Reuters, esta quarta-feira, 30 de setembro, cafés com animais exóticos, onde os visitantes podem interagir com espécies que vão desde lontras a corujas e marmotas, tornaram-se atrações populares tanto para turistas japoneses quanto estrangeiros.
Mas investigadores afirmam que alguns desses estabelecimentos mantêm espécies ameaçadas de extinção, o que levanta preocupações sobre o bem-estar animal e o comércio de animais selvagens.
Syaina Nozaki, gerente do Owl Otter Cafe em Kamakura, perto de Tóquio, que abriga animais resgatados, concorda.
“O Japão está claramente atrasado em termos de regulamentação do bem-estar animal”, disse em entrevista à Reuters.
Syaina espera que esta investigação e, posteriormente, a lei, ajudem a distinguir estabelecimentos como o dela de espaços menos responsáveis, focados apenas no lucro, e corrija as lacunas que existem na lei do Japão quanto a este tipo de cafés.
O sucesso (e exemplo) do Owl Otter Cafe
O Owl Otter Cafe é um espaço inovador inaugurado em dezembro de 2025 em Kamakura.
Ao contrário dos estabelecimentos tradicionais do setor, focados estritamente no lucro , este local nasceu com uma missão inteiramente diferente: funcionar como um abrigo para animais resgatados, onde o bem-estar e a conservação das espécies estão em primeiro lugar.
O espaço ganhou recentemente um enorme destaque na imprensa internacional após o Ministério do Ambiente do Japão anunciar que vai apertar as medidas de segurança e proteção animal nestes espaços.
Enquanto muitos cafés fecharam as portas aos jornalistas sob acusações de stresse animal e falta de higiene, o Owl Otter Cafe abriu as suas instalações à agência Reuters e à estação de televisão TBS.
O que distingue este café de outros idênticos – e que lhe valeu rasgados elogios de especialistas – é o respeito pela liberdade dos animais.
Nele, as corujas circulam em liberdaade, quebrando o padrão de outros recintos onde as aves passam a vida amarradas a poleiros curtos.
Além das corujas, o espaço acolhe lontras (que dispõem de piscinas adequadas), miniporcos e outras espécies exóticas resgatadas. Todos os animais contam com supervisão veterinária constante e áreas de descanso vedadas ao público para quando precisam (e querem) se afastar.
Para os turistas que visitam a histórica região de Kamakura, a experiência também foge à regra. A entrada garante tempo ilimitado e bebidas gratuitas em regime de self-service, permitindo que os visitantes interajam com os animais de forma calma e sem a pressão do relógio.
A componente económica também é elogiada, uma vez que é circular: todos os lucros gerados revertem diretamente para as atividades de proteção, alimentação e cuidados médicos da associação que gere o espaço.
Num momento em que residentes e turistas exigem cada vez mais responsabilidade social nas suas experiências de lazer, o Owl Otter Cafe mostra que o futuro dos cafés com animais no Japão terá, obrigatoriamente, de passar pela sustentabilidade e bem-estar animal.
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