As sondagens colocam a AfD em terceiro lugar numa cidade tradicionalmente considerada liberal e cosmopolita, embora o apoio à formação permaneça bastante abaixo dos resultados alcançados noutras regiões da Alemanha.
Nas últimas eleições regionais, realizadas em 2023, o partido obteve 9,1% dos votos.
A candidata da AfD à presidência da câmara, Kristin Brinker, uma arquiteta de 56 anos, tem procurado alargar o eleitorado do partido, incluindo entre cidadãos de origem estrangeira, ao mesmo tempo que reconhece que alguns dirigentes da formação se exprimem por vezes de forma “rude”.
Brinker afirmou na quinta-feira, durante um encontro com a imprensa estrangeira, que migrantes de segunda e terceira geração bem integrados e que “não são um fardo” para o Estado encaram “com grande preocupação a chegada de pessoas que não se integram, mas que recebem tudo do Estado”.
A candidata pretende congelar o acolhimento de refugiados e analisar a situação dos cerca de 20.000 migrantes que, na sua perspetiva, residem irregularmente em Berlim, com o objetivo de expulsar o maior número possível.
As propostas são menos radicais do que os apelos à “remigração” defendidos por outros setores da AfD.
Brinker afirmou também receber apoio de muitos homossexuais “que não se identificam como ‘queer'” e que estariam preocupados com a segurança, outro dos temas centrais da sua campanha, após o atentado cometido este verão por um ‘jihadista’ contra o Desfile do Orgulho de Berlim.
Sobre a habitação, um dos principais temas da campanha eleitoral devido à escassez de oferta na capital, a candidata propõe um sistema de pontuação que dê prioridade, entre outros critérios, às pessoas que trabalham há mais tempo em Berlim, “independentemente do passaporte”.
Brinker tem também afirmado que as empresas públicas de habitação constroem novas casas apenas para refugiados, uma alegação apresentada sem provas, e levantado suspeitas sobre um eventual favorecimento irregular de estrangeiros na atribuição de imóveis.
Entre as restantes propostas estão o reforço da videovigilância, a retirada das bandeiras arco-íris dos edifícios públicos, a promoção da chamada “alta cultura” para aumentar a atração turística de Berlim e a melhoria do ensino do alemão nas escolas onde cerca de metade das crianças tem origem estrangeira.
Vários analistas atribuem o possível crescimento da AfD sobretudo à insatisfação com a coligação entre a União Democrata-Cristã (CDU) e o Partido Social-Democrata (SPD), que governa tanto Berlim como o país.
À baixa popularidade do chanceler democrata-cristão, Friedrich Merz, somaram-se as críticas ao presidente da Câmara de Berlim, Kai Wegner, pela gestão do grande apagão ocorrido no início do ano.
Wegner acabou por ser substituído como candidato pelo pouco conhecido Stefan Evers.
O crescimento da AfD reflete também as divisões políticas e sociais entre o centro e a periferia de Berlim e entre as zonas que pertenciam à antiga República Federal da Alemanha (RFA) e à República Democrática Alemã (RDA) antes da reunificação.
Nas eleições federais de 2025, A Esquerda e os Verdes dominaram grande parte dos bairros centrais, enquanto na periferia se manteve uma divisão próxima da antiga fronteira entre as duas partes da cidade: a CDU predominou no oeste e a AfD no leste.
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