O secretário-geral do Partido Socialista defendeu, esta quinta-feira, 17 de setembro, que o Governo tem de aprovar medidas que vão de encontro às necessidades das famílias que enfrentam “circunstâncias muito difíceis” perante o aumento do custo de vida em Portugal.
José Luís Carneiro lembrou que já em março tinha alertado que a crise financeira que se vive – à custa de duas guerras – podia ser “duradoura”, pelo que criticou o Governo por, até agora, não ter tomado medidas para aliviar a vida dos portugueses.
“As necessidades a que o Governo quis responder [com as medidas que apresentou na semana passada] deixaram ficar de fora 2 milhões de trabalhadores mais vulneráveis, com crianças e jovens, e que são famílias que estão a viver em circunstâncias muito difíceis”, começou por afirmar, lembrando que o abono de família e o apoio a empresas no âmbito do consumo de energia são algumas das medidas que podiam ser tomadas.
“O Governo devia ter tomado medidas ontem”, disse o socialista, referindo que chumbará qualquer proposta do Governo que contemple medidas para serem aplicadas apenas em janeiro.
O líder do PS considerou que não existe motivo para não ajudar as famílias e referiu que o “Governo tem folga” para implementar medidas “graças ao aumento da receita não prevista, por força da inflação e do aumento da receita do resultado dos impostos sobre os combustíveis”.
“Nas nossas contas, entre aquilo que anunciou e o dinheiro que ganhou, sobram 400 milhões de euros”, indicou, reforçando que as proposta do PS são “sustentáveis a nível orçamental”.
Recorde-se que o aumento do custo de vida tem sido um dos temas mais marcantes do arranque da sessão legislativa, tendo as bancadas da Esquerda parlamentar criticado, esta quarta-feira, a ação do Governo perante a subida da inflação e o aumento do custo de vida.
PS pediu debate parlamentar
O PS agendou, aliás, para sexta-feira um debate parlamentar de urgência sobre o custo de vida, defendendo que o Governo “deve agir” para responder ao que os socialistas consideram ser o “tema central” da vida dos portugueses.
Eurico Brilhante Dias defendeu que o PS “tem vindo a dar centralidade à questão do custo de vida”.
“E é isso que nós estamos a fazer, é dizer ao Governo que deve agir, coisa que o Governo manifestamente não tem feito”, criticou.
O líder parlamentar socialista referiu ainda que o partido vai voltar a insistir em medidas para travar o aumento do custo de vida através de um projeto de resolução que será debatido em 25 de setembro e que tem propostas que o PS já levou por duas vezes ao parlamento e que foram rejeitadas.
“O PS apresentou um projeto de resolução, número 1221, que será discutido no dia 25 de setembro, que na sua estrutura fundamental é idêntico àquele que apresentámos em abril, e depois foi discutido em abril e em julho”, disse.
Eurico Brilhante Dias disse ter a expectativa de “construir uma maioria no parlamento que diga ao Governo que tem que agir sobre estes fatores que são fundamentais”.
“Os portugueses estão em máximos de custo de vida dos últimos três anos, portanto, a Assembleia não pode ser insensível. Até agora não tivemos a oportunidade de ter uma maioria porque a extrema-direita e a direita se juntaram para chumbar as iniciativas do PS”, condenou.
[Notícia atualizada às 12h44]
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