“É um cenário que não rejeitamos, porque seria o resultado de uma situação em que mais ninguém está disposto a assumir connosco a responsabilidade de governar”, afirmou Ulrich Siegmund, numa conferência de imprensa em Magdeburgo, após a constituição do grupo parlamentar da AfD, composto por 39 deputados após a vitória eleitoral de domingo passado, a três deputados da maioria absoluta no parlamento regional.
Siegmund salientou que o voto dos cidadãos daquele estado do leste da Alemanha — que atribuíram à AfD o seu melhor resultado até à data em eleições regionais, 43,8 % — foi claro, pelo que a repetição das eleições não preocuparia muito o partido.
“Certamente que os cidadãos demonstrariam o que pensam do facto de ninguém estar disposto a governar connosco”, disse, sugerindo que a AfD poderia até melhorar o seu resultado nas urnas, porque os eleitores diriam “agora vão ver” às restantes formações políticas, que querem impedi-los de governar apesar de serem o partido mais votado.
Na mesma conferência de imprensa, Ulrich Siegmund indicou que a AfD mantém conversações com “outros grupos parlamentares”, referindo-se à Aliança Sahra Wagenknecht – Razão e Justiça (BSW), partido populista de esquerda, a única força que não rejeitou negociar com o partido de extrema-direita, bem como com deputados individuais, na esperança, neste último caso, de angariar o apoio de alguns dissidentes.
Ulrich Siegmund, que hoje foi eleito porta-voz do grupo parlamentar, reconheceu que o objetivo é angariar o maior número possível de apoios.
O líder partidário rejeitou, contudo, a proposta do BSW, disposto a que os seus cinco deputados eleitos se abstenham para permitir um governo minoritário da AfD se for nomeado como primeiro-ministro regional uma figura independente.
Siegmund sublinhou que não renunciará a liderar o executivo, uma vez que quase 44 % dos eleitores da Saxónia-Anhalt votaram nesse cenário.
A Constituição da Saxónia-Anhalt não estabelece um prazo para a eleição de um novo primeiro-ministro regional. Por isso, o primeiro-ministro regional cessante, o democrata-cristão Sven Schulze (CDU, força política do chanceler alemão Friedrich Merz), poderá permanecer no cargo enquanto for necessário. A convocação de novas eleições exigiria uma maioria de dois terços no parlamento regional.
Um grupo de organizações da sociedade civil alemã convocou hoje manifestações para os próximos sábado e domingo em protesto contra a AfD em 12 cidades, entre as quais Berlim, Hamburgo e Munique, as mais populosas da Alemanha.
“Para as ruas contra a AfD nos dias 12 e 13 de setembro”, publicou nas redes sociais a iniciativa denominada “É hora de agir”.
A AfD, partido vigiado pelos serviços secretos alemães sob classificação de organização suspeita de extremismo de direita, lidera atualmente as intenções de voto em Mecklenburg-Pomerânia Ocidental, outro estado federado alemão que vai a votos no dia 20 de setembro.
Também surge entre os principais partidos na corrida eleitoral em Berlim, que tem eleições igualmente a 20 de setembro.
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