“No final de setembro, teremos a oportunidade de nos encontrarmos, creio, com a equipa norte-americana em Nova Iorque”, disse Zelensky em conferência de imprensa no Canadá, precisando que se referia a “um encontro com o Presidente Trump”.
No âmbito da visita de Zelensky ao Canadá, um dos aliados próximos de Kyiv, os dois países reforçaram hoje a cooperação militar, industrial e energética com novos acordos que ultrapassam os dois mil milhões de dólares canadianos (1,25 mil milhões de euros), enquanto Otava anunciou que está a preparar um novo pacote de sanções contra a Rússia.
Em conferência de imprensa em Calgary, primeira paragem da visita do líder ucraniano, Zelensky e o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, concordaram que a pressão sobre Moscovo deve manter-se enquanto se procuram formas de reduzir as hostilidades.
“Estamos a desenvolver um novo pacote de sanções”, afirmou Carney, que especificou que o Canadá pretende atingir a cadeia de produção de mísseis balísticos da Rússia, a chamada “frota fantasma” utilizada para contornar as restrições internacionais e os serviços financeiros ligados a Moscovo.
O Canadá, acrescentou, não esperará pelo resultado de qualquer negociação para aumentar a sua pressão sobre a liderança russa.
Zelensky indicou pelo seu lado que espera progressos diplomáticos até ao final de setembro, embora tenha avisado que a Rússia costuma intensificar os seus ataques quando deteta contactos entre Kyiv e os seus aliados.
“Esta é a única forma de parar a guerra. Não há outra”, observou, sobre a combinação de negociações e pressão sobre Moscovo.
O Presidente ucraniano apontou ainda para a possibilidade de se chegar a acordos parciais para reduzir os ataques contra as infraestruturas energéticas e garantir o transporte de produtos agrícolas através do mar Negro.
Dos novos compromissos com o Canadá, Zelensky precisou que mais de mil milhões de dólares canadianos (cerca de 622 milhões de euros) são destinados à defesa, com um foco nos intercetores para sistemas Patriot, munições para caças F-16 e produção de drones.
O Governo canadiano anunciou cerca de 350 milhões de dólares canadianos (218 milhões de euros) para intercetores de defesa aérea e quase 435 milhões de dólares canadianos (270 milhões de euros) em novas garantias de empréstimos para reforçar a segurança energética da Ucrânia antes do inverno.
Um dos principais temas da cooperação será a produção conjunta de drones e sistemas antidrone.
Zelensky anunciou também que espera a participação do Canadá no projeto ucraniano Freyja, que visa desenvolver um novo sistema antimíssil balístico, do qual Kyiv espera obter os primeiros resultados práticos nos próximos meses.
Os dois líderes assinaram também a Declaração de Parceria a 100 Anos, manifestando a sua intenção de elevar a relação bilateral a uma parceria estratégica abrangente, focada na defesa, segurança, reconstrução e cooperação económica.
Desde 2022, o Canadá atribuiu mais de 26 mil milhões de dólares canadianos (16 mil milhões de euros) em apoio à Ucrânia.
A deslocação de Zelensky ocorre poucos dias após a visita a Kyiv e Moscovo de Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados dos Estados Unidos, país patrocinador de negociações entre Ucrânia e Rússia, que se encontram paradas desde fevereiro.
O Kremlin afirmou na quarta-feira que, durante uma chamada telefónica entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e Donald Trump, realizada na véspera, o líder norte-americano pediu um fim rápido do conflito.
Por sua vez, o chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, descreveu as negociações realizadas no passado fim de semana pelos enviados da Casa Branca como “substanciais”, apesar de Moscovo e Kyiv continuarem inflexíveis nas respetivas exigências.
Rubio afirmou ainda que poderão ser elaboradas orientações para avançar e retomar as negociações nas próximas semanas, uma alegação a que o Kremlin respondeu na quarta-feira, declarando que o roteiro mencionado pelo secretário de Estado é apenas uma proposta, mas que apoia a possibilidade de uma reunião tripartida com a Ucrânia.
Após mais de quatro anos da invasão russa da Ucrânia, as partes continuam divididas sobre o futuro dos territórios ocupados pelas forças de Moscovo, bem como sobre garantias de segurança a Kyiv para evitar uma nova agressão do país vizinho.
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