“A distração de um grupo municipal pode explicar uma ausência momentânea de manifestação, mas não dá à Mesa [da AML] o poder de inventar votos favoráveis. O Chega não votou a favor desta moção. O nosso sentido de voto era e é contra”, afirmou o líder da bancada do Chega na AML, Luís Pereira Nunes, em comunicado.
Em causa está a distração do Chega no momento da votação da moção do BE na reunião de terça-feira da AML, em que o presidente da AML, André Moz Caldas (PS), questionou quem vota contra, registando os votos de PSD, CDS-PP e IL, e quem se abstém, não tendo registado quaisquer votos nesse sentido, proclamando que o documento foi aprovado.
Juntando o Chega aos votos contra de PSD, CDS-PP e IL, a moção do BE seria rejeitada, no entanto, depois de proclamado o resultado de uma votação, o mesmo não é alterado, procedimento que já acontece há vários mandatos na AML, podendo os partidos juntarem uma declaração de voto a clarificarem o sentido de voto.
Posteriormente, no momento de declarações de voto, a deputada Margarida Bentes Penedo, do Chega, esclareceu que o partido “queria votar contra” a moção do BE sobre o acidente do elevador da Glória, e pediu desculpa pela distração na votação.
No atual mandato 2025-2029, a AML é composta por uma maioria de direita, com 38 deputados de PSD/CDS-PP/IL e Chega, contra 37 eleitos de partidos de esquerda, nomeadamente de PS, Livre, BE, PAN, PCP e PEV.
A moção do BE exige respostas da Câmara Municipal de Lisboa (CML), governada por PSD/CDS-PP/IL, quanto ao descarrilamento do elevador da Glória, que ocorreu há um ano, em 3 de setembro de 2025, e que provocou 16 vítimas mortais e 24 feridos, de 15 nacionalidades.
Reforçando que “o Chega não votou favoravelmente a moção do BE”, o partido de extrema-direita apresentou uma reclamação formal na AML, requerendo “a retificação do registo da votação, eliminando a atribuição ao Chega de seis votos favoráveis que nunca foram expressos”, bem como a repetição da votação, “preferencialmente através de votação nominal, para que o sentido de voto de cada deputado fique inequívoca e individualmente registado”.
Em comunicado, o Chega reforçou ainda que o voto contra a moção do BE para exigir respostas da CML quanto ao acidente do elevador da Glória “não diminui a gravidade da tragédia […], nem a necessidade de apurar responsabilidades e prestar todas as respostas devidas às vítimas, às suas famílias e à cidade de Lisboa”.
Além da distração do Chega, também o PSD falhou a votação de uma moção do PCP pelo cumprimento de prazos céleres na construção do Aeroporto Luís de Camões e desativação do Aeroporto Humberto Delgado, em que foram registados os votos contra de IL, CDS-PP e Chega, tendo sido proclamada a sua aprovação.
Posteriormente, o PSD expressou que o seu sentido de voto era contra e ainda pediu a repetição da votação, ao que o presidente da AML respondeu: “Não vou abrir a caixa de Pandora de se retrocederem votações. O momento que sinalizou foi ulterior à proclamação do resultado da votação e, nesta casa, em mandatos anteriores e neste, nunca se abriu a caixa de Pandora, não será sob a minha presidência.”
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