Loïk Le Priol, de 32 anos, e Romain Bouvier, de 35, estão, respetivamente, acusados de homicídio e de tentativa de homicídio, tendo evitado cruzar o olhar com os familiares do antigo internacional argentino ao entrarem no banco dos réus de um tribunal criminal, em Paris.
Ao disparar contra o jogador argentino na sequência de uma rixa que envolveu álcool, Le Priol é considerado, de facto, “o autor da morte de Federico Martín Aramburú, mas o ex-militar francês alegou ter aberto fogo para se defender, apesar de o antigo jogador de râguebi estar desarmado.
“Caberá ao Tribunal do Júri (de Paris) decidir se essa defesa foi legítima ou não”, disse o réu, a propósito de um episódio ocorrido no terraço de um bar, em Paris, na madrugada de 19 de março de 2022.
Também Romain Bouvier, ex-estudante de direito em Paris, que morava num apartamento próximo do local da rixa, corre o risco de ser condenado a prisão perpétua por tentativa de homicídio.
O réu, de 35 anos, admitiu ser culpado do crime de “violência com uso de arma”, ao disparar quatro vezes, ainda que esses tiros não tenham causado a morte de Aramburú, mas negou a intenção de matar o antigo jogador.
“Nunca quis matar Martín Aramburú. Não quis feri-lo, nem sequer tocá-lo”, disse Bouvier.
Os dois homens, que partilhavam a simpatia pela extrema-direita e a tendência para a violência, para o álcool e para o uso de armas, afirmam ter disparado por “medo do porte físico do argentino” e do seu amigo Shaun Hegarty, antigo jogador de râguebi francês.
A discussão no terraço de um bar de Paris deu-se após as 05:20, quando Hegarty comentou a maneira como Le Priol repreendeu um cliente, gerando-se sucessivas provocações até Aramburú agarrar em Le Priol pelo capuz e o atirar ao chão.
Com os dentes partidos, Le Priol prometeu, segundo testemunhas no local, matar Aramburú e entrou no seu automóvel para seguir os antigos jogadores de râguebi, com Bouvier a disparar quatro vezes quando os veículos se colocaram lado a lado.
Aramburú foi atingido, mas permaneceu de pé, antes de Le Priol correr na sua direção e disparar seis vezes com um revólver do final do século XIX, que alegou ter utilizado “para se defender”.
Após a morte do argentino no local, o ex-militar francês abandonou o local e foi detido passados alguns dias, na fronteira entre a Hungria e a Ucrânia.
O veredicto do tribunal deve ser conhecido em 25 de setembro.
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