“Uma feira termina, mas os negócios não podem terminar com o encerramento dos pavilhões”, disse hoje Benvinda Levi, no discurso de encerramento do maior evento de negócios de Moçambique, realizado em Ricatla, no distrito de Marracuene, em Maputo.
Segundo a governante, a Facim 2026, que recebeu durante seis dias cerca de 600 empresas estrangeiras e aproximadamente 2.300 expositores nacionais, bem como 55 mil visitantes, demonstrou o potencial produtivo e empresarial nacional, defendendo que os compromissos assumidos durante a feira não podem ficar apenas ao nível das intenções.
“Temos agora de capitalizar os resultados alcançados nesta Facim. Os contactos realizados aqui em Ricatla devem materializar-se em contratos; os contratos devem transformar-se em investimentos; os investimentos devem transformar-se em fábricas, unidades de processamento, explorações agrícolas, serviços, tecnologias [e] infraestruturas”, defendeu.
Para Levi, um dos principais legados da edição deste ano são as “manifestações de intenção e os compromissos de estabelecimento de parceria e de investimento” alcançados entre empresas, investidores e instituições participantes. A governante disse acreditar que a concretização destes entendimentos poderá contribuir para dinamizar o crescimento económico e reforçar as exportações moçambicanas, que, segundo referiu, ultrapassaram os 7,5 mil milhões de dólares (6,4 mil milhões de euros) em 2025.
Ao fazer o balanço da feira, que abriu oficialmente as portas em 31 de agosto, a primeira-ministra sustentou que a Facim voltou a afirmar-se como um espaço privilegiado de encontro entre empresários nacionais e estrangeiros, permitindo que “empresários que anteriormente não se conheciam passassem a conhecer-se”, que produtores encontrassem potenciais compradores e que investidores identificassem novas oportunidades de negócio.
“A Facim tornou-se num verdadeiro espaço de conexão do nosso país com mercados, tecnologias, experiências e oportunidades de investimento de diferentes partes de Moçambique e do mundo”, afirmou, destacando igualmente a diversidade dos expositores presentes, representando setores como agricultura, logística, tecnologia e serviços financeiros.
A chefe do Governo destacou ainda a forte presença das micro, pequenas e médias empresas, considerando que o principal desafio do país “não é a ausência de capacidade produtiva”, mas sim o aumento da escala de produção, da produtividade e da integração dos produtores nas cadeias de valor.
“Precisamos de aumentar a escala, melhorar a produtividade, garantir qualidade e regularidade do abastecimento dos mercados interno e externo, bem como reduzir custos, facilitar o acesso aos mercados e integrar melhor os pequenos produtores nas cadeias de valor”, defendeu.
No discurso, a primeira-ministra insistiu na necessidade de acelerar a industrialização da economia e a transformação local das matérias-primas. “Não podemos continuar a depender excessivamente da exportação de matérias-primas sem transformação”.
A 61.ª Facim decorreu entre 31 de agosto e 05 de setembro, reunindo cerca de 29 países, incluindo aproximadamente 100 empresas de capitais portugueses. O certame, realizado sob o lema “Transformação Digital e Energética rumo a uma Economia Sustentável e Industrializada”, teve o Brasil como país convidado de honra.
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