O porta-voz e vice-presidente do PSD, Sebastião Bugalho, afirmou que a moção de censura ao Governo, anunciada esta quarta-feira pelo líder do Chega, André Ventura, “é uma derrota parlamentar pré-anunciada do partido Chega”.
Questionado sobre o porquê desta moção de censura não enfraquecer o Governo de Luís Montenegro, Sebastião Bugalho considerou que, “em primeiro lugar, porque é um derrota parlamentar pré-anunciada” do Chega.
“O partido preponente da moção de censura já sabe à partida que a moção será chumbada na Assembleia da República porque nenhum dos outros partidos da oposição a vai viabilizar ou aprovar”, afirmou, em entrevista à RTP Notícias.
E questiona: “Como é que uma iniciativa política do partido Chega, que vai ser chumbada pelos deputados eleitos pelos portugueses, poderia enfraquecer o Governo?”
Para Sebastião Bugalho, “esta iniciativa política é incompreensível para a vasta maioria dos portugueses”, notando que a “justificação para a apresentação da moção de censura foi totalmente espúria da parte do deputado André Ventura”.
“Vem dizer que o ministro Luís Neves não explicou o caso do atrelado – já explicou -, não explicou o caso das obrigações declarativas, – já explicou e já corrigiu -, que não explicou o caso do carro que está em regime de comodato atribuído ao Ministério da Administração Interna – isso está mais explicado”, salientou.
O porta-voz do PSD classificou ainda a justificação do líder do Chega “quase excêntrica”, acrescentando que o partido “apresenta uma moção de censura ao Governo do PSD por causa da Operação Influencer que mandou abaixo o governo do PS”.
“O que é que nós temos a ver com isso? A Operação Influencer foi uma operação que teve buscas em vários sítios, nomeadamente na residência do primeiro-ministro. Não este, de outro partido”, continuou.
Bugalho sublinhou também “que chegámos a um nível do bizarro, que nos rimos com algo que não tem piada nenhuma ou então temos de começar a fazer perguntas sérias”.
“E a pergunta séria é: como é que alguém justifica uma moção de censura a um governo com base num ministro que depois quer inquirir numa comissão parlamentar de inquérito?”, frisou.
O vice-presidente do PSD, e também eurodeputado, afirmou que Luís Neves “esteve sempre disponível para esclarecer, nomeadamente em sede de comissão parlamentar de inquérito, as dúvidas que têm que ver com o seu percurso e com o seu mandato enquanto diretor nacional da PJ”.
Acrescentou ainda que a ação de Luís Neves enquanto ministro da Administração Interna “é bastante positiva no que diz respeito a servir o país”, dando como exemplos a redução das filas de espera nos aeroportos ou o trabalho de preparação e prevenção que foi feita para os fogos nesta época do ano.
“Do ponto do seu trabalho como ministro, como aliás já foi dito até por José Luís Carneiro, líder do PS, não tem nada que ver com as dúvidas que têm que ver com o seu mandato enquanto diretor da PJ”, afirmou.
Bugalho ressalvou ainda que “o Governo pediu uma auditoria através da Inspeção Geral da Justiça a esse percurso” de Neves na PJ. “O próprio Governo, por sua iniciativa, desencadeou um mecanismo de escrutínio”, apontou.
Na ótica do porta-voz do PSD, “politicamente, o político Luís Neves está a desempenhar as suas funções e tem a confiança do primeiro-ministro”.
Acusou ainda André Ventura de querer “antecipar a sentença antes do julgamento”, voltando a referir o facto de o líder do Chega ter avançado com a moção de censura antes de ouvir o ministro da Administração Interna, Luís Neves, numa comissão parlamentar de inquérito.
De recordar que, esta quarta-feira, o presidente do Chega anunciou que vai avançar com a moção de censura ao Governo de Luís Montenegro, na sequência dos casos que envolvem o nome do ministro da Administração Interna, Luís Neves.
“O Chega deu entrada hoje, no Parlamento, de uma moção de censura com um objetivo claro: censurar o primeiro-ministro e o Governo pela manutenção de Luís Neves no cargo de ministro da Administração Interna, de questionar as razões pelas quais mantém Luís Neves com todas estas suspeitas, com todos estes problemas, com toda esta degradação, à frente do Ministério da Administração Interna”, disse, em declarações, aos jornalistas, na sede do partido, em Lisboa.

Ventura avança com moção de censura contra Governo (e pressiona PS)
O presidente do Chega, André Ventura, anunciou esta quarta-feira que irá avançar com a moção de censura ao Governo, na sequência dos casos que envolvem o nome do ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Maria Gouveia | 16:58 – 02/09/2026



