Numa declaração conjunta, os ministros dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Argélia, Indonésia, Jordânia, Líbano, Malásia, Mauritânia, Paquistão, Palestina, Qatar, Arábia Saudita e Somália descreveram os ataques israelitas à base militar de Abu al-Duhur como uma “escalada extrema” e condenaram uma “violação flagrante” da soberania, integridade territorial e unidade política da Síria.
O grupo de países manifestou preocupação com os contínuos ataques ao território e às infraestruturas sírias e alertaram que estas ações comprometem os esforços de Damasco para restaurar a segurança, reconstruir as suas instituições e lidar com as consequências humanitárias de anos de conflito.
Os ministros signatários observaram que as violações da soberania síria podem aumentar as tensões regionais, minar a paz e a estabilidade e enfraquecer o respeito pelo direito internacional e pelos princípios da Carta da ONU.
A declaração deixa um apelo à comunidade internacional para que use uma resposta “firme, clara e baseada em princípios” para pôr fim a estas ações, garantir o cumprimento os acordos existentes, exigindo a retirada das forças israelitas que se encontram no sul da Síria desde a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024.
Israel bombardeou na terça-feira a base militar síria, após uma alegada visita de uma delegação turca, tendo o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, avisado que não tolerará a expansão militar da Turquia no país vizinho, que vê como uma ameaça a Israel.
Em reação, a presidência turca negou a presença de qualquer delegação na base síria, antes ou durante o ataque, afirmando que Ancara tem “experiência suficiente para não cair na armadilha montada por figuras como Netanyahu, que visam minar a paz e a estabilidade na nossa região”.
Numa segunda declaração, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar, Jordânia, Indonésia, Paquistão, Turquia e Egito condenaram “inequivocamente” as políticas de expansão dos colonatos israelitas no território palestiniano ocupado e rejeitaram “categoricamente” o plano E1 e as atividades associadas em Jerusalém Oriental.
Os ministros alertaram que o projeto E1 representaria uma “escalada perigosa”, ao favorecer a expansão e a anexação de colonatos e comprometer a continuidade territorial entre as diferentes partes do território palestiniano ocupado, sobretudo entre a Cisjordânia e Jerusalém Oriental.
Nesse sentido, este assentamento israelita ameaça a possibilidade de estabelecer um Estado palestiniano “independente, contíguo e viável”, baseado nas fronteiras de 1967 e com Jerusalém Oriental (ocupada por Israel nesse ano) como capital.
O projeto E1 foi aprovado em agosto de 2025, apesar de protestos das autoridades palestinianas e da comunidade internacional, e prevê cerca de 3.400 unidades habitacionais na Cisjordânia ocupada, numa área de 12 quilómetros quadrados entre o colonato de Ma’ale Adumim e Jerusalém Oriental.
Na prática, este megaprojeto ameaça dividir em dois a Cisjordânia e a viabilidade do Estado Palestiniano.
Na terça-feira, o Ministério da Habitação abriu um concurso para a construção de 1.200 habitações integradas no projeto, segundo relatos da organização não-governamental israelita Paz Agora e da imprensa israelita.
Antes do pronunciamento comum dos países árabes e islâmicos, seis países europeus, entre os quais Reino Unido, França, Alemanha e Itália, e o Canadá apelaram na quinta-feira a Israel para que interrompa de imediato a expansão dos colonatos na Cisjordânia, incluindo o megaprojeto E1, que consideram inaceitável.
“Instamos o Governo de Israel a revogar imediatamente estes planos e a pôr fim à expansão dos colonatos na Cisjordânia. Não só nos afastarão ainda mais da paz, como também prejudicarão ainda mais a reputação internacional de Israel”, afirmou o grupo de países ocidentais numa declaração conjunta subscrita também por Noruega e Países Baixos.
Posteriormente, a Bélgica, Suécia e Nova Zelândia também aderiram ao comunicado, tendo Espanha expressado condenação, numa declaração separada, dos planos do Governo de Benjamin Netanyahu, que também já mereceu a oposição de Portugal.
Na declaração hoje divulgada, os oito países árabes e muçulmanos condenaram ainda a violência cometida por colonos israelitas na Cisjordânia contra os palestinianos e as suas propriedades, afirmando que viola o direito internacional e as resoluções das Nações Unidas e constitui uma ameaça à paz e à segurança regional e internacional.
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