O porta-voz do PSD Sebastião Bugalho garante que o Governo está “de consciência tranquila em relação ao que se passa” em torno de Luís Neves e aponta críticas ao PS e Chega na forma como têm reagido às polémicas.
“Eu vejo a circunstância do ministro exatamente como estava ontem ou há uma semana: com a confiança política do primeiro-ministro, a realizar os seus deveres de ministro da Administração Interna na plenitude daquilo que se esperava dele”, afirmou, em entrevista na Edição da Noite da SIC Notícias.
“É com tranquilidade que o ministro tem surgido e se pronunciado sobre essas situações”, acrescenta, garantindo que é também com “naturalidade” que o Governo encara “qualquer necessidade de esclarecimento” e “qualquer escrutínio às antigas funções do dr. Luís Neves”.
“Eu nunca conheci ninguém que tivesse qualquer coisa a esconder que estivesse tão disponível para esclarecer aquilo que tivesse a esconder”, ironizou.
Recusando pronunciar-se sobre os factos que ainda estão sob investigação, o eurodeputado assegura que “mesmo antes do dr. Luís Neves ser ministro da Administração Interna, a Polícia Judiciária já tinha veículos cedidos ao Ministério da Administração Interna” em “regime idêntico ou similar”.
“O Luís Neves não é um problema do Governo”, garante. “Aliás, a equipa governamental e o PSD têm sido bem mais consistentes em relação à figura do dr. Luís Neves do que os partidos da oposição.”
E justifica, dizendo que o secretário-geral do PS, por exemplo, já disse que Luís Neves fazia falta à Polícia Judiciária, mas também que o que tinha retirado credibilidade à PJ tinha sido a conduta do atual ministro. “Na mesma entrevista, dizia que o primeiro-ministro é que era responsável por isso […]. Há uma grande confusão na cabeça do PS sobre se ataca, se defende, se está ao lado, se está contra…”
Quanto ao Chega, Sebastião Bugalho diz que “usa a destruição das instituições com a capa de as vir defender”.
“Agora vem tentar substituir a figura do primeiro-ministro defendendo a exoneração de um membro do Governo, que é uma prerrogativa única do primeiro-ministro, através de uma resolução parlamentar em período de suspensão de trabalhos parlamentares. É tudo um show político que não tem susbtrato, não tem substância e não tem precedente”, acusa. “No fundo, não visa mais do que tentar aparecer à custa do trabalho ou da existência do dr. Luís Neves.”
Sebastião Bugalho não acredita que o MAI esteja “descredibilizado” porque “ele esteve sempre disponível para esclarecer as questões ou as omissões ou as lacunas procedimentais que poderia ter cometido ou deixado de cometer quando estava nas funções anteriores” e, além disso, “tem cumprido em pleno os seus deveres enquanto ministro da Administração Interna”.
O porta-voz do PS notou que hoje, a 21 de agosto, os “noticiários não abrem com incêndios em Portugal”, o que evidencia que Luís Neves está para durar. E desvaloriza, também, que Luís Montenegro não tenha falado no ministro da Administração Interna durante o seu discurso de rentrée no Pontal: “Eu não vi o primeiro-ministro evitar estar em eventos ou iniciativas com o dr. Luís Neves.”
“Parece-me que há uma grande dose de hipocrisia da parte do Partido Socialista em relação a este caso”, defendeu, criticando as declarações recentes de José Luís Carneiro e lembrando que António Costa “manteve um ministro das Finanças” e “convidou um banqueiro privado para presidir à CGD e entregou aos advogados desse banqueiro a lei que se lhe ia aplicar no que toca à declaração de rendimentos”.
Por isso, defende, “não deixa de ser profundamente hipócrita e até um bocadinho cómico ver o dr. José Luís Carneiro vir agora dizer que no tempo do PS do Governo é que havia rigor”.

Do veículo apreendido aos carros da mulher: Pressão aumenta sobre MAI
Depois de ter vindo a público que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, estaria a fazer uso de um carro apreendido pela PJ em regime de comodato, agora surge também a história de que não terá declarado os dois carros de que é cotitular com a mulher à Entidade para a Transparência (EpT). As mais recentes polémicas, numa longa lista, já motivaram críticas no panorama político.
Notícias ao Minuto | 22:42 – 21/08/2026



