Uma família pode pagar todas as contas a tempo e, mesmo assim, não estar financeiramente protegida, sendo que o verdadeiro teste à saúde financeira surge quando há um imprevisto. Quem o diz é a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO), que revela que para uma primeira avaliação deve responder-se a cinco perguntas:
- Consigo pagar as despesas mensais sem recorrer a crédito?
- Tenho margem financeira depois de assegurar as despesas essenciais e os créditos?
- Tenho uma reserva financeira para enfrentar um imprevisto?
- Se perder parte do meu rendimento, durante quanto tempo consigo manter as despesas essenciais?
- Estou a conseguir poupar e preparar financeiramente o futuro?
“Quanto mais respostas positivas existirem, maior será a capacidade para enfrentar situações adversas. Uma família financeiramente saudável não é necessariamente aquela que ganha mais. É aquela que consegue pagar as contas hoje, enfrentar um imprevisto amanhã e continuar a ter escolhas no futuro”, explica a DECO.
A Associação explica que a “saúde financeira não deve ser avaliada apenas quando já existem dificuldades“, sendo que a “prevenção passa por reconhecer atempadamente os sinais de fragilidade e perceber se existe capacidade para enfrentar uma alteração inesperada sem comprometer o equilíbrio financeiro”.
O verdadeiro teste? Um imprevisto
“Imagine uma família que consegue, todos os meses, pagar a habitação, alimentação, transportes, seguros, créditos e restantes despesas. À partida, a situação parece equilibrada. Mas o que aconteceria se surgisse uma despesa inesperada de 1.000 ou 2.000 euros? E se um dos elementos do agregado tivesse uma redução temporária do rendimento? E se fosse necessário reparar o carro ou substituir um eletrodoméstico?”, questiona a DECO.
Ora, “é nestas situações que a saúde financeira é posta verdadeiramente à prova“, porque “uma família financeiramente saudável não é aquela que nunca enfrenta dificuldades”, mas antes a que “consegue absorver um choque financeiro sem transformar imediatamente o imprevisto numa nova dívida“.
“Esta capacidade de resistência, frequentemente designada por resiliência financeira, é uma dimensão essencial do bem-estar financeiro”, explica a Associação.
Atenção ao sinal de alerta
A DECO revela que “recorrer ocasionalmente ao crédito para fazer face a uma despesa pode ser uma solução”, mas “se o crédito passa a ser utilizado regularmente para pagar despesas correntes, estamos perante um sinal de alerta de que a situação financeira da família pode estar a ficar comprometida”.
“Nesse momento, o orçamento já não está a ser sustentado apenas pelo rendimento. Está também a ser sustentado por dívidas. E isso pode criar um ciclo difícil de interromper: mais crédito significa mais prestações e menos rendimento disponível, aumentando a necessidade de recorrer novamente ao crédito”, pode ler-se no site da Associação.
A importância de poupar
A DECO diz ainda que a “saúde financeira deve incluir a capacidade de poupar, planear e manter alguma autonomia para tomar decisões quando as circunstâncias mudam”.
“E poupar não serve apenas para concretizar objetivos. Uma reserva financeira pode evitar que uma despesa imprevista se transforme num empréstimo ou num saldo de cartão de crédito que continuará a pesar no orçamento”, conclui.
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