Estas posições foram assumidas por Margarida Botelho, membro do secretariado do Comité Central do PCP, e José Manuel Pureza, coordenador do BE, em reações enviadas à comunicação social sobre o discurso de Luís Montenegro na 50.ª Festa do Pontal, a tradicional ‘rentrée’ do PSD.
“O primeiro-ministro falou de governar para as pessoas, mas creio que quem espera para pôr o bebé na creche e não teve vaga, quem espera por aceder a uma urgência e a encontra fechada, quem estica o salário até ao fim do mês e tem muita dificuldade porque está tudo mais caro, não se reviu neste discurso do primeiro-ministro”, criticou a dirigente comunista.
Margarida Botelho acusou também o executivo de seguir uma agenda “partilhada com o grande capital, com a União Europeia, com o imperialismo”, em que “umas vezes vai buscar apoios ao PS, outras vezes ao Chega e à Iniciativa Liberal”.
“A verdade é que o nosso país precisava de uma política completamente diferente, uma política que desse resposta ao problema dos salários, da habitação, da saúde, da educação, que tivesse uma política de direitos de desenvolvimento e de paz”, defendeu.
A comunista argumentou ainda que a luta dos trabalhadores contra as alterações da lei laboral propostas pelo Governo evidenciou que “há forças no país para derrotar” a política do executivo.
O líder do BE disse que Luís Montenegro usou a “rábula do costume”: “Ouvimos esta noite o Luís Montenegro dizer que lá fora é que dão valor à grande obra do Governo português e que cá dentro as pessoas não se dão conta de tão grande coisa que nós temos. É um bocadinho a rábula do costume de Luís Montenegro. O país está melhor, as pessoas é que não”, atirou.
José Manuel Pureza afirmou ainda que o primeiro-ministro transmitiu no discurso que os portugueses são “uns ingratos” por falarem do que corre mal, pedindo a Montenegro que pergunte aos jovens o impacto das falhas na correção dos exames nacionais ou na dificuldade de aceder à habitação.
“Finalmente, em terceiro lugar, o primeiro-ministro veio dizer que o desígnio do Governo é aumentar o rendimento de todas as pessoas, sobretudo aquelas que têm menos. Muito bem, hoje mesmo entrou em vigor o diploma que põe em prática a Prestação Social Única (PSU). E feitas as contas, sabemos que este diploma do governo retira 161 euros a quem beneficia do subsídio de desemprego a partir do sétimo mês de desemprego”, acrescentou ainda, referindo que o partido se vai juntar a outras forças para levar o decreto sobre a PSU ao Parlamento.
O primeiro-ministro criticou hoje “uma espécie de censura moderna” em que as pessoas só conhecem as polémicas e os incidentes e o mais importante fica “escondido em notas de rodapé”, defendendo Portugal “com orgulho em si próprio”.
“Não podemos viver uma espécie de censura moderna em que as pessoas só conhecem, sabem e debatem os assuntos mais polémicos, os assuntos de pequenos incidentes, dos pequenos episódios e deixar aquilo que é mais importante escondido em notas de rodapé ou mesmo omitido dos grandes espaços de veicular e comentar a informação”, criticou.
O presidente do PSD disse que o partido e o Governo que lidera têm uma cultura política de “fazer mais e não falar assim tanto”, o que, admitiu, “irrita muita gente” que queria que o executivo falasse “todos os dias”.

Entre “resultados” e críticas, Montenegro garante: “Estamos para durar”
Luís Montenegro defendeu, na Festa do Pontal, que o PSD é “um partido de todos” e garantiu que o Governo continuará focado em fazer de Portugal “um país maior”. O social-democrata criticou ainda o que classificou como uma “espécie de censura moderna”.
Márcia Guímaro Rodrigues com Lusa | 22:05 – 14/08/2026



