A concentração de esforços na tradução da IA em ganhos reais de produtividade nas PME e na Administração Pública é uma das seis recomendações do ‘policy brief’ da Nova SBE, em parceria com a Bennett School of Public Policy da Universidade de Cambridge, as quais visam reduzir o fosso de inovação entre Europa os EUA.
“Uma das nossas recomendações pode parecer um bocadinho genérica, que é focar os esforços em transformar, em traduzir a adoção de inteligência artificial em ganhos de produtividade”, mas “é muitíssimo importante, quer a nível nacional, quer a nível europeu”, sublinha Luís Cabral.
Agora, “a nossa expectativa neste momento é que as pessoas prestem atenção” porque, “infelizmente, as políticas públicas são com muita frequência feitas com base num certo achismo, em vez de serem baseadas em evidência e no estudo completo”, aponta o diretor académico do Nova SBE Public Policy Institute (centro de excelência dedicado a promover políticas públicas informadas e assentes em conhecimento científico).
Sobre o impacto das recomendações no fosso de inovação entre EUA e Europa, o responsável salienta que “o ‘gap’ entre as empresas” de ponta europeias e as norte-americanas “é muito grande e não parece ser uma coisa absolutamente solucionável imediatamente”.
O diretor académico aponta que se fala “muito sobre inovação de ponta”, mas pouco sobre a adoção da inovação.
Nesse sentido, “uma das nossas recomendações é justamente tomar medidas de políticas públicas que se debrucem não tanto sobre estar na linha da frente, em conseguir esses ganhos de IA, mas em adotá-los de forma que sejam traduzidos em aumentos de produtividade”, prossegue.
Até porque a adoção destas tecnologias, nomeadamente IA, pelas empresas, escolas, Administração Pública, “é um processo moroso”.
Aliás, atualmente todos falam “muito sobre inteligência artificial e o ChatGPT e as pessoas utilizam muito para fazer perguntas no dia-a-dia, mas, quer dizer, os reais ganhos de produtividade ainda estão por acontecer nas empresas e nas organizações”, aponta Luís Cabral.
Obviamente, “vamos continuar a falar da necessidade da Europa recuperar o atraso em relação à [norte-americana] Anthropic, em relação à OpenAI e à China, que também está muito avançado, isto é tudo muito interessante e importante”.
Mas “vamos também pensar como é que nós podemos traduzir estas novas tecnologias que estão a evoluir a um ritmo tão rápido, como é que podemos traduzi-las em melhorias concretas de produtividade nas várias organizações e aos vários níveis”, insiste Luís Cabral.
Caso contrário, “fica assim uma espécie de uma app [aplicação] do iPhone que nos ajuda a procurar um restaurante para ir comer ou traduzir algum texto”, avisa.
As potencialidades “são enormíssimas, mas exigem neste momento não tanto um processo de inovação no sentido de melhorar a qualidade dos modelos de inteligência artificial, mas um processo de adaptação e implementação para que realmente isto se traduza em melhores organizações”, considera o responsável.
“Nós, como Instituto de Políticas Públicas, o NPPI, temos uma história muito recente, esta foi a nossa primeira Policy Workshop” e “o nosso objetivo é tentar trazer o conhecimento que existe na academia, entre os cientistas, nos centros de investigação, para os decisores políticos”, salienta.
Portanto, “temos aqui uma oportunidade para pensar em políticas públicas baseadas não só em evidência, mas também na opinião comum de vários especialistas de várias áreas que são relevantes para o assunto em questão, que neste caso é a inovação”, remata.
O documento, um “policy brief” recomenda a continuação de duas medidas: expandir o Erasmus para jovens empreendedores e reforçar o Conselho Europeu de Investigação com mais recursos e alinhamento estratégico.
Recomenda, além da medida relativa à IA, a criação da autoridade europeia para compras na defesa, abrir capital de risco a investidores institucionais (fundos de pensões, seguradoras, fundos de segurança social); e fortalecer o mercado único europeu, harmonizando fiscalidade, regulação e regimes de insolvência.
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