As explosões ocorridas durante a última noite, que “geraram ondas de choque equivalentes às de um sismo”, enviam “mensagens negativas” a poucos dias de novas negociações entre o Líbano e Israel, alertou Joseph Aoun em comunicado divulgada pela presidência libanesa.
A próxima ronda de negociações está prevista para 04 de agosto em Roma, com o objetivo de pôr fim ao estado de guerra entre os dois países.
As forças israelitas realizaram explosões em grande escala perto do castelo de Beaufort, Património Mundial da UNESCO e um monumento classificado como em perigo, informou hoje a agência de notícias estatal libanesa (NNA), enquanto Israel se referiu à destruição de túneis pertencentes ao grupo xiita Hezbollah
Em comunicado, o Ministério da Cultura libanês afirmou que “os abalos causados por estas explosões podem ter causado danos nas imediações da fortaleza”, mas a sua extensão “só poderá ser avaliada após uma inspeção no local”, o que é atualmente impossível, uma vez que Beaufort se encontra numa área sob ocupação israelita.
Um correspondente da agência France-Presse (AFP) numa aldeia próxima relatou que ouviu enormes explosões e observou poeira a cobrir grandes áreas arborizadas.
Segundo a NNA, janelas de casas de aldeias vizinhas ficaram partidas.
Numa declaração conjunta, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciaram que o exército destruiu “túneis terroristas na região de Beaufort” utilizando cerca de 700 toneladas de explosivos.
Os governantes alegaram que as explosões ocorreram após uma “flagrante violação do cessar-fogo” pelo Hezbollah na quarta-feira.
No mesmo dia, o exército de Israel tinha acusado o Hezbollah de violar a trégua em vigor ao lançar um drone explosivo contra um veículo militar israelita no sul do Líbano.
O Hezbollah não reivindica a autoria de qualquer ataque contra Israel desde 20 de junho.
As forças de manutenção da paz da ONU destacadas no Líbano anunciaram que descobriram cerca de quatro toneladas de explosivos no início de julho em Houla, uma das aldeias ocupadas.
O Líbano foi arrastado pelo Hezbollah para a nova guerra na região ao reatar, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita, como retaliação da ofensiva israelo-americana contra o seu aliado iraniano.
Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do Líbano desde o conflito anterior.
As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e interrompido com o início do conflito, em 28 de fevereiro, entre Estados Unidos, Israel e Irão.
Israel avisou repetidamente que não abandonará o sul do Líbano até que as milícias do Hezbollah sejam desarmadas e deixem de constituir uma ameaça.
Representantes libaneses e israelitas alcançaram um acordo em junho, com mediação dos Estados Unidos, para a criação de “zonas-piloto” no sul do Líbano, que prevê a retirada das tropas de Israel e o posicionamento de forças regulares de Beirute.
Posteriormente, em julho, durante uma ronda negocial em Roma, as partes discutiram as modalidades de aplicação destas “zonas-piloto”.
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