A decisão abrange nove localidades evacuadas nos últimos dias e representa o maior levantamento de restrições desde o início da emergência e, com este novo regresso, quase dois terços das cerca de 224 mil pessoas inicialmente retiradas da região já puderam voltar às suas habitações.
“Estamos no bom caminho”, afirmou Sophie Brocas, responsável pela administração regional da Gironda, onde se localiza a cidade de Bordéus.
As autoridades atribuíram a evolução favorável ao aumento da humidade, à descida das temperaturas e à ocorrência de chuva fraca, fatores que impediram uma nova expansão significativa do incêndio durante a noite.
Apesar da melhoria, os habitantes foram aconselhados a manter os telemóveis ligados para receber eventuais alertas de evacuação e a permanecer preparados para abandonar novamente as suas casas caso a situação se agrave.
A autoestrada A63, encerrada desde o fim de semana devido às chamas, foi reaberta ao trânsito, restabelecendo uma das principais ligações rodoviárias entre França e Espanha numa altura de grande afluência turística.
O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, anunciou o reforço do dispositivo de combate ao incêndio para 3.300 bombeiros, apoiados por cerca de duas dezenas de aviões e helicópteros. Pela primeira vez, canhões de água habitualmente utilizados pela polícia no controlo de distúrbios foram mobilizados para extinguir brasas e pequenos focos de incêndio.
As equipas de emergência continuam igualmente a abrir extensos aceiros, que já ultrapassam 130 quilómetros de extensão, e a recorrer a queimadas controladas para eliminar vegetação suscetível de alimentar as chamas.
Embora a situação em França apresente sinais de estabilização, os incêndios continuam a afetar vários países europeus durante um dos verões mais quentes de que há registo.
Em Espanha, os bombeiros prosseguem o combate a vários incêndios florestais, apesar de terem estabilizado os dois maiores focos na região de Madrid e em Ávila.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, apelou à máxima prudência, lembrando que muitos incêndios resultam de comportamentos negligentes.
No Reino Unido, mais de 90 bombeiros combatiam hoje um incêndio numa zona de charneca no leste de Inglaterra, onde dezenas de pessoas foram retiradas das suas casas. As autoridades declararam oficialmente que metade do território inglês se encontra em situação de seca.
Na Turquia, as equipas de emergência enfrentavam incêndios em quatro províncias do oeste do país, incluindo as regiões turísticas de Mugla e Antalya, enquanto na Grécia as autoridades confirmaram na quarta-feira a morte de três bombeiros na ilha de Creta.
Na Roménia, o baixo caudal do rio Danúbio levou ao encerramento temporário dos dois reatores da central nuclear de Cernavoda, utilizados para arrefecimento com água do rio.
Segundo as autoridades de vários países europeus, incluindo França, Alemanha e Reino Unido, as sucessivas ondas de calor registadas neste verão contribuíram para milhares de mortes em excesso e agravaram significativamente o risco de incêndios florestais em todo o continente.
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