Os corredores da Assembleia da República (AR) terão sido percorridos esta semana por alguém que, entrando no gabinete do líder do Chega, André Ventura, o deixou de pernas para o ar. Quem foi? Ninguém sabe. Como chegou (ou chegaram) sem ninguém ver? Desconhece-se também.
Mas enquanto o mistério sobre quem terá levado documentos permanece, há que perceber: como funciona a segurança do edifício?
Tanto a Polícia de Segurança Pública (PSP) como a Guarda Nacional Republicana (GNR) têm presença no local, mas enquanto a primeira fica no exterior, à porta do edifício, são os militares que asseguram as rondas nos corredores.
As rondas e os gabinetes… fechados?
Questionada pelo Notícias ao Minuto sobre detalhes acerca da forma como a segurança é feita – nomeadamente em relação aos números de rondas e de elementos que as realizam e também horários, a GNR informou, ainda na terça-feira, “que as questões formuladas deverão ser dirigidas à Assembleia da República”.
Já a Assembleia da República, questionada sobre os mesmos detalhes, respondeu esta quarta-feira que as únicas informações em relação ao assunto estão relacionadas com a nota divulgada ontem, na qual dá conta de que o serviço de segurança da AR isolou imediatamente o gabinete do presidente do Chega e comunicou o caso à Polícia Judiciária (PJ) logo que tomou conhecimento do incidente. Na mesma nota, refere-se que, “concluídas as diligências realizadas no local pela PJ, a investigação prossegue sob a sua direção, no âmbito das respetivas competências”.
Mas, entre os detalhes sobre a periodicidade com que as rondas são feitas e no que consistem, há um plano que se sabe ‘à superfície’. De acordo com a imprensa nacional, todas as noites elementos das forças de segurança destacadas para tal fazem as rondas. Note-se que, no interior da Assembleia da República não se encontram câmaras de videovigilância, existindo apenas videovigilância no exterior.
Ainda na terça-feira, a SIC Notícias apontava que as forças de segurança faziam rondas todas as noites e que, nesse âmbito, confirmavam se os gabinetes estão fechados. Ao Notícias ao Minuto, fonte do partido Chega explicou ontem que o gabinete do líder da oposição ficou aberto – o que “por norma” acontece, de acordo com o que foi pela mesma fonte referido.
Sabe-se ainda que André Ventura terá saído do seu gabinete às 19 horas de segunda-feira. O alerta para a situação foi dado na manhã seguinte, quando uma funcionária da limpeza entrou no local e se preparava para realizar o seu trabalho. Por volta das 7h, quando o deputado Francisco Gomes se dirigia a uma sala para gravar um TikTok, passou pelo gabinete de Ventura, e já lá estava a referida funcionária com um agente de segurança.
Parlamento terá reforçado a segurança há quatro dias
De acordo com o que foi apurado pelo Observador, o Conselho de Administração da Assembleia da República divulgou um parecer interno que dava conta de um ‘aperto’ nas regras de funcionamento. Segundo a publicação, que teve acesso ao parecer, uma das questões colocadas no documento dizia respeito à permanência no edifício fora do horário habitual.
As informações terão começado a circular na sexta-feira e, de acordo com o que é explicado, definia mais detalhadamente este reforço, no âmbito do qual seriam exigidas justificações por escrito para a permanência no edifício para lá do usual.
O Observador adianta ainda que fonte oficial da Assembleia da República justificou que estas alterações diziam respeito a “trâmites normais” e evolução das regras do Parlamento. O Notícias ao Minuto questionou esta situação junto da Assembleia da República, que não quis dar mais detalhes sobre esse parecer.
O que desapareceu?
Em conferência de imprensa ainda ontem, André Ventura adiantou: “Um dos lotes dos documentos que desapareceram estavam numa das pastas que estão logo em cima da mesa e que se referiam à comissão parlamentar de inquérito ao dr. Luís Neves”.
“Esses documentos, juntamente com essa pen [drive] desapareceram na manhã de hoje e espero que possam ser recuperados”, salientou ainda, acrescentando que outros documentos que desapareceram “tinham que ver com informação política relacionada com o gabinete do primeiro-ministro e já tinham mais de um ano”.
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