A advertência foi do ministro da Defesa polaco, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, que frisou que a legislação se refere a cidadãos russos residentes “noutros territórios” e admitiu que pode levar a uma intensificação progressiva das provocações por parte de Moscovo.
Em entrevista à estação de rádio RMF24, o ministro polaca disse que nas últimas duas semanas, três aviões militares russos foram intercetados sobre o Báltico e que três drones russos foram recentemente abatidos sobre território romeno.
As situações relatadas ocorreram após a alteração à lei feita pela câmara baixa do Parlamento russo (Duma) há dois meses.
De acordo com a norma, a Rússia pode intervir se os direitos dos cidadãos russos em países terceiros — como o direito à liberdade de expressão — estiverem ameaçados, sublinhou Kosiniak-Kamysz.
O ministro da Defesa acrescentou que as autoridades de Moscovo alegam que os direitos dos cidadãos de expressarem “a cultura e língua russas estão a ser ameaçados” nos países bálticos.
“Está tudo a intensificar-se gradualmente, e a Rússia está a elevar lentamente o nível das ameaças ao intensificar táticas de desvio, ações provocatórias e propaganda”, afirmou o ministro polaco.
Quanto à natureza da ameaça à Polónia, o ministro esclareceu que não se prevê qualquer ataque convencional, nem em “grande escala”, como o que foi lançado contra a Ucrânia, e que “não haverá colunas de tanques a avançar em direção a Varsóvia”.
No entanto, o ministro polaco alertou para “o uso de drones ucranianos capturados pela Rússia” para realizar “ataques disfarçados”.
Na semana passada, após uma reunião do Comité de Segurança Nacional, o ministro da Defesa polaco declarou que Moscovo possui “muitos drones” apreendidos a Kiev e explicou que “a Rússia poderia utilizá-los de forma provocatória contra o flanco leste da Aliança Atlântica: países bálticos, Finlândia, Roménia e Polónia.
Kosiniak-Kamysz sublinhou que tal ataque exigiria a invocação dos artigos 04 e 05 (da Aliança Atlântica), que implicam o uso da força e o emprego de todos os meios por parte de cada Estado-membro.
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