Duas pessoas foram detidas depois de a unidade especial de detetives da polícia irlandesa (Garda) ter intercetado uma bomba “altamente sofisticada” num carro, junto à fronteira com a Irlanda do Norte. Os detidos são uma mulher na casa dos 20 anos, que conduzia o carro, e um homem de 40 anos, detido posteriormente.
O engenho foi descoberto durante uma operação contra grupos republicanos dissidentes planeada no condado de Monaghan, perto da fronteira com a Irlanda do Norte, na tarde de quarta-feira.
Fontes policiais da Irlanda do Norte creem, segundo a BBC, que o Novo IRA terá sido responsável por planear o ataque.
A bomba foi neutralizada pela brigada de minas e armadilhas do exército irlandês, tendo posteriormente sido recolhida para análise forense. Segundo as autoridades, continha uma unidade de energia, detonador e explosivos de uso militar.
“Sabemos com certeza que existe uma pequena minoria de republicanos dissidentes que não concordaram com o Acordo da Sexta-Feira Santa, não desativaram armas e explosivos, não seguiram o processo adequado de desativação”, revelou o comissário da Garda, Justin Kelly, acrescentando: “existe uma pequena minoria desses indivíduos, que descreveria como republicanos radicalizados. É uma ameaça que continuaremos a enfrentar por algum tempo”.
Segundo Kelly, a bomba “não era apenas composta por componentes ou peças”, mas sim “extremamente sofisticada”. “Era um dispositivo explosivo que teria causado ou poderia ter causado danos significativos”, afirmou.
Por seu lado, o comissário adjunto da Polícia da Irlanda do Norte (PSNI), Davy Beck, agradeceu a “apreensão significativa e as detenções” efetuadas pela polícia irlandesa, com quem a PSNI trabalha “em estreita colaboração diariamente”.
“É como voltar a uma época diferente”, descreveu uma mulher idosa à BBC, ao passar pelo local onde a imprensa estava reunida no centro da cidade. “Graças a Deus, a bomba foi encontrada antes de explodir”, disse outro habitante local.
Durante os 30 anos do conflito na Irlanda do Norte, principalmente nas décadas de 1970 e 1980, armas e explosivos foram contrabandeados da República da Irlanda para a Irlanda do Norte através da fronteira.
O Acordo de Sexta-Feira Santa (ou Acordo de Belfast) trata-se de um acordo assinado pelos governos britânico e irlandês e apoiado pela maioria dos partidos políticos norte-irlandeses segundo o qual a Irlanda do Norte permanecerá parte do Reino Unido, a menos que a maioria da região vote, em referendo, a favor da reunificação com a Irlanda. Teve como objetivo acabar 30 anos de conflitos violentos entre as comunidades republicanas católicas e sindicalistas protestantes.
Como parte do acordo ficou também estabelecido que os grupos armados concordariam em desfazer-se das armas.
O Novo IRA, que se crê surgido entre 2011 e 2012, ganhou destaque em 2019 após o assassinato da jornalista Lyra McKee, enquanto acompanhava um protesto no conjunto habitacional Creggan, em Londonderry, a segunda maior cidade da Irlanda do Norte.
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