“Não penso que isso possa conduzir a quaisquer mudanças”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, durante a conferência de imprensa diária.
“As nossas forças armadas continuam a sua ofensiva ao longo de toda a linha da frente”, acrescentou.
Paralelamente, e também hoje, Zelensky nomeou o general Igor Skibyuk como novo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, substituindo Andriy Gnatov, no meio da incerteza sobre o futuro do ex-ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov.
O anúncio, feito pelo Presidente ucraniano nas redes sociais, surge no meio da incerteza em torno de Fedorov, cuja demissão na semana passada precipitou a crise que levou a esta reestruturação da liderança militar, na qual o general Mykhailo Drapati foi também nomeado como novo chefe do Exército.
Zelensky anunciou na noite de terça-feira que ofereceu a Fedorov um cargo de destaque no Governo para que este continue a supervisionar a transformação tecnológica do país.
Fedorov — que recusou uma oferta para ser nomeado conselheiro de Zelensky depois de deixar o Ministério da Defesa — celebrou a nomeação de Drapati como chefe do Exército, substituindo Oleksandr Sirsky, mas não esclareceu se aceitaria a nova oferta.
Numa mensagem nas redes sociais, o Presidente ucraniano explicou ainda, ao anunciar a nomeação de Skibiuk como novo chefe do Estado-Maior, que iria procurar novas posições dentro das estruturas militares do país tanto para o seu antecessor, Andriy Gnatov, como para Sirsky.
Na mensagem, Zelensky elogiou Syrskyi pelos “resultados na defesa de Kiev, na contraofensiva de Kharkiv e na operação em Kursk”, manifestando-lhe gratidão juntamente com “todos os soldados ucranianos por manterem a frente de batalha”.
“Percorremos um longo caminho, a defesa da Ucrânia continua e todos os soldados merecem respeito”, referiu.
Syrskyi vinha sendo alvo de contestação, que se acentuou na última semana com os protestos contra a demissão do ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, resultante de um choque entre os dois altos responsáveis militares ucranianos.
Após a sua demissão, Fedorov acusou Syrsky de levar ao seu afastamento e de bloquear a tentativa de reforma do exército.
No terreno, a Ucrânia tem vindo a melhorar a sua posição: conseguiu travar significativamente o avanço das tropas russas e, recentemente, realizou uma série de ataques eficazes na Rússia e nas zonas do seu território ocupadas por Moscovo.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 — após a desagregação da antiga União Soviética — e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões — Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia –, além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).
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