A líder da Iniciativa Liberal (IL), Mariana Leitão, considerou na terça-feira que o silêncio do ministro da Administração Interna, Luís Neves, sobre a polémica relacionada com as obras da sua casa em Odemira e o atrelado encontrado na propriedade de um empreiteiro amigo “está a minar a confiança no Estado de direito, com a cumplicidade e apatia de Luís Montenegro”.
A afirmação da liberal surgiu após Luís Neves ter dito, na tarde de terça-feira, que estava a “reunir todos os documentos” que considera “relevantes” no âmbito do processo.
“Estou a reunir todos os documentos, tudo aquilo que eu entendo que é relevante para, ponto por ponto, vos esclarecer a todos”, disse Luís Neves aos jornalistas, em Viana do Castelo, acrescentando que responderá “em todo o lado”.
No entanto, Mariana Leitão sublinhou que “Luís Neves anda escondido há duas semanas” e “ressurgiu apenas para dizer ‘vou reunir documentos’, recusando-se a responder a perguntas” dos jornalistas.
“O tempo que passa sem respostas está a minar a confiança no Estado de direito, com a cumplicidade e apatia de Luís Montenegro”, atirou, numa publicação na rede social X.
Luís Neves anda escondido há duas semanas. Ressurgiu hoje apenas para dizer “vou reunir documentos”, recusando-se a responder a perguntas. O tempo que passa sem respostas está a minar a confiança no Estado de direito, com a cumplicidade e apatia de Luís Montenegro.
— Mariana Leitão (@marianalqcl) July 21, 2026
Na passada sexta-feira, a Polícia Judiciária (PJ) anunciou que abriu um inquérito sobre o atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.
No mesmo dia, a PGR confirmou “a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado ‘Operação Pacoba'”.
Sobre o inquérito da PJ, a direção nacional desta polícia explicou, em comunicado, que “teve conhecimento de que uma galera apreendida, no âmbito de um inquérito relacionado com o tráfico de estupefacientes, havia sido movimentada e parqueada em Barcelos”.
A polémica teve início no dia 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira uma empresa anteriormente responsável por obras na PJ quando Luís Neves era diretor nacional.
Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.
Já na semana passada, a Câmara de Odemira disse que está a verificar a legalidade das obras realizadas no imóvel particular de Luís Neves, na freguesia de São Teotónio.
Em resposta por escrito a questões colocadas pela agência Lusa, o município esclareceu que “não está em curso qualquer processo de licenciamento ou comunicação de obras nos prédios” localizados na freguesia de São Teotónio.

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O ministro da Administração Interna comentou, na tarde desta terça-feira, as polémicas relacionadas com as obras da sua casa em Odemira e do atrelado encontrado nas instalações da empresa do construtor que trabalhou na sua propriedade. Luís Neves reagiu ainda à abertura de um inquérito ao caso por parte da Procuradoria-geral da República (PGR).
Notícias ao Minuto com Lusa | 17:19 – 21/07/2026



