Um homem de 43 anos, de origem marroquina, morreu no domingo em Bolonha, Itália, enquanto estava a ser detido pela polícia. Um vídeo, divulgado nas redes sociais, mostra dois agentes sobre o homem, enquanto este implora por ajuda e diz que “já chega”.
O incidente ocorreu ao final da tarde de sábado, no bairro de Pilastro, após alguns moradores terem ligado aos serviços de emergência por causa de um indivíduo a causar desacatos numa zona de estacionamento.
O homem, identificado como Abderrahim Fakir, terá então causado danos numa viatura polícia e os agentes, já na presença de paramédicos, usaram gás pimenta e imobilizaram-no com abraçadeiras de plástico nos pulsos. Terá sido nesta altura que o marroquino se sentiu mal e morreu.
Os gritos e pedidos de ajuda de Abderrahim Fakir foram captados em vídeo, onde implora “socorro, parem, parem” e “já chega”, antes de perder a consciência, segundo a agência de notícias italiana ANSA.
As imagens – que o Notícias ao Minuto optou por não partilhar – mostram dois agentes a imobilizar o homem de bruços, segurando-lhe as mãos atrás das costas, numa tentativa de o algemar, enquanto um terceiro indivíduo o agarra pelos tornozelos. Dois paramédicos estão presentes, mas não intervieram numa fase inicial.
Passados alguns minutos, o homem deixa de resistir e parece perder os sentidos. Um agente tenta verificar o seu estado, mas não obtém resposta. É neste momento que os dois paramédicos se aproximam e percebem que Fakir está morto.
“Ele continuava a pedir ajuda. Não fazia nada. Só pedia ajuda. Estava um pouco agitado, a gritar ‘socorro, socorro, socorro’”, contou um morador aos jornalistas italianos no local.
A Polícia de Bolonha confirmou que “os polícias foram chamados após relatos de pessoas que avistaram um indivíduo agitado e, para o conter, contaram com a ajuda de outros cidadãos, em parte devido aos danos num carro”.
“Os polícias solicitaram também de imediato o atendimento do serviço de emergência médica 118 e, após as operações de contenção realizadas na presença dos paramédicos, o homem morreu”, acrescentou a nota.
Segundo a polícia, “as imagens das câmaras corporais dos agentes que acorreram à ocorrência e registaram as operações serão imediatamente disponibilizadas às autoridades judiciais”.
Citada pelo jornal italiano Il Sole 24 Ore, a irmã de Fakir garantiu que não descansará enquanto não houver justiça.
“Mataram-no, quero justiça. Não descansarei enquanto o meu irmão não for vingado. Não descansarei”, frisou.
“Não sabemos o que aconteceu. Eles – a polícia – sabem o que aconteceu. Tudo o que sabemos é que recebemos uma chamada a dizer que ele tinha morrido. Algemaram-no e ele morreu. Atacaram-no. Mataram-no e espancaram-no. Há testemunhas”, acrescentou.
Também o presidente da Câmara de Bolonha, Matteo Lepore, e o presidente regional, Michele de Pascale, exigiram “esclarecimentos completos sobre o ocorrido”.
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