A mulher que impediu o rapto da própria sobrinha numa maternidade no estado do Piauí, no Brasil, foi acusada dos crimes de calúnia e difamação por ter referido que acreditava que uma enfermeira tinha ajudado a suspeita.
O incidente ocorreu a 6 de julho na Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, quando uma técnica de enfermagem tentou levar a recém-nascida escondida dentro de uma mala, após dizer à família que a bebé precisava de ir fazer exames de rotina.
Daniela Beatriz apercebeu-se dos comportamentos suspeitos da profissional de saúde e conseguiu impedir o rapto, numa altura em que a suspeita, identificada como Auricélia Rocha, se preparava para abandonar o estabelecimento hospital já disfarçada com roupas normais e com a bebé dentro de uma mala.
A tia acabou por partilhar nas redes sociais uma fotografia e o nome de outra enfermeira, acreditando que era cúmplice de Auricélia Rocha. No entanto, a mulher não está relacionada com o caso e a Polícia Civil do Piauí já confirmou que a suspeita terá agido sozinha.
Daniela Beatriz foi agora acusada dos crimes de calúnia e difamação qualificada. Segundo a delegada Amanda Bezerra, da Polícia Civil do Piauí, ao expor o rosto e o nome da enfermeira, descrevendo-a como “a outra mulher que ajudou” a suspeita, a tia prejudicou “a honra e a reputação da envolvida”.
Ao G1, Daniela Beatriz frisou que “não tinha intenção de prejudicar ninguém” e apenas queria ajudar na investigação. “Se eu não tivesse divulgado essas fotos, colocado nas redes sociais e mencionado ela em algumas coisas que aconteceram, talvez nem tivesse tomado esta proporção tão grande”, disse.
“Naquele momento, eu estava passando por tudo aquilo e entendi que precisava de mostrar o que estava acontecendo. Eu não tinha intenção de prejudicar ninguém, queria apenas que a situação fosse esclarecida”, acrescentou.
Já em comunicado, citado pelo G1, a defesa de Daniela Beatriz afirmou que “as publicações por ela realizadas em suas redes sociais a respeito do episódio ocorrido na Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina/Pl, no dia 06 de julho de 2025, envolvendo sua sobrinha recém-nascida, não tiveram, em nenhum momento o propósito de caluniar, difamar ou, de qualquer forma, prejudicar a honra ou a reputação de terceiros”.
“As manifestações então divulgadas decorreram do contexto imediatamente posterior a situação vivenciada por nossa cliente como ameaça, sob acentuado abalo psicológico, sem que dele se pudesse extrair propósito ofensivo em relação o qualquer profissional da instituição”, esclareceu a nota.
Recorde o caso
Uma técnica de enfermagem terá tentado levar uma bebé dentro de uma mala, mas foi impedida pela tia. No dia da tentativa de sequestro, a suspeita, que trabalhava na unidade hospitalar há dois anos, estava de folga mas decidiu ir trabalhar.
As imagens das câmaras de videovigilância mostram a mulher com a bebé no corredor da maternidade, após ter dito à mãe da recém-nascida, de apenas 14 anos, que precisava de levar a criança para fazer exames, incluindo o teste do pezinho.
A técnica de enfermagem entrou numa sala com a bebé e, desconfiada, a tia decidiu esperar por ela na porta. Poucos minutos depois, Auricélia Rocha deixou a sala sem a criança, com uma mala grande e entrou numa casa de banho. A tia estranhou e seguiu-a.
“Ela vai pro banheiro, eu já fico olhando aquela situação. Eu sinto que aquele negócio não tá certo”, disse Daniela ao programa “Fantástico” do G1.
Ainda segundo a tia, a suspeita saiu da casa de banho com outra roupa. Pelas 13h45, cerca de 15 minutos após a técnica de enfermagem levar a criança do quarto da mãe, Daniela abordou-a, puxou a mala e viu a sobrinha lá dentro.
“Quando eu puxo, a neném tá lá. Eu questiono: ‘Mulher, pelo amor de Deus, o que tu tá fazendo com essa menina nessa bolsa?’ Eu já tiro a neném e saio pedindo socorro”, relatou.
Auricélia Rocha acabou por ser detida e ficou sujeita à medida de coação de prisão preventiva.
Veja o momento da tentativa de rapto no vídeo abaixo:
O Fantástico exibiu imagens exclusivas de uma tentativa de sequestro dentro da maior maternidade de Teresina.
A ação foi interrompida pela tia da bebê, que desconfiou da movimentação e conseguiu impedir o sequestro. pic.twitter.com/X7sZdaUH6o
— Mariąna🇧🇷 (@MarianaOlly) July 13, 2026
O diretor administrativo e financeiro da Maternidade Dona Evangelina Rosa, José Alberto Alencar, lamentou o incidente, mas rejeitou que tenha havido qualquer falha de segurança.
O caso está a ser tratado como uma tentativa de sequestro.
Na casa da técnica de enfermagem, a polícia encontrou um quarto montado para receber um bebê. Segundo o delegado Hugo Alcântara, da Polícia Civil, havia fraldas, roupas, banheira e berço.
A investigação apurou ainda que a família de Auricélia acreditava que a técnica de enfermagem estava grávida, apesar de a mulher nunca ter apresentado exames que comprovassem a gravidez.
Os investigadores também afirmam que parentes acreditavam que Auricélia estava grávida, embora ela não tivesse apresentado exames que comprovassem a gestação.
A sua defesa alegou, também, que a técnica tinha sido diagnosticada com sintomas esquizofrénicos e tomava medicamentos psiquiátricos.

Tia impede rapto de bebé escondida numa mala em maternidade do Brasil
Uma tia impediu o rapto da sobrinha recém-nascida numa maternidade no estado do Piauí, no Brasil, ao descobrir a bebé escondida numa mala. A principal suspeita é uma técnica de enfermagem, detida preventivamente por tentativa de sequestro.
Márcia Guímaro Rodrigues | 18:15 – 15/07/2026



