O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, desvalorizou a polémica relacionada com a correção dos exames nacionais do 11.º e 12.º ano, defendendo que os atrasos estão relacionados com uma “mudança positiva” no sistema e que “já houve atrasos” noutros anos.
Em declarações ao programa “Importa-se de Repetir?”, da SIC Notícias, Soares fez questão de referir que “o que está em causa” é uma “transformação que visa que as provas sejam corrigidas de forma para os alunos”, uma vez que “cada professor classificador corrige perguntas e não uma prova inteira”, permitindo que os “alunos não sejam prejudicados” por “lógicas de avaliação diferentes”.
Segundo o líder parlamentar dos sociais-democratas, a afixação das notas finais estava marcada para dia 14 de julho, mas, “devido a dificuldades que existiram na digitalização das provas”, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, decidiu adiar o prazo para 17 de julho.
“Quando se faz uma transformação deste tamanho há sempre dificuldades. Nem tudo correu bem, mas estamos a mudar para melhor”, atirou. “Se fosse para deixar tudo na mesma, deixem governar o Partido Socialista, são ótimos nisso”.
Hugo Soares frisou que o Governo da AD “veio mesmo para mudar” e considerou que “as mudanças têm resistência” e “trazem dificuldades”. No entanto, neste caso, “ninguém no espaço público diz que a mudança é para pior”.
“A mudança é boa e é positiva. Os alunos sabem que houve um atraso de três dias. Acham sinceramente que um atraso de três dias na publicação das notas é caso para este alarido todo?”, questionou.
Hugo Soares sublinhou que “já houve atrasos” na correção dos exames nacionais, sobretudo “por greves convocadas pela Fenprof”.
“Eu vejo a Fenprof a pedir a demissão do ministro porque a publicação das provas se atrasou dois ou três dias. Pergunto aqui à Fenprof: Quantas vezes a Fenprof pediu greve aos exames nacionais?”, atirou.
E acrescentou: “Eu quero aqui dizer aos dirigentes da Fenprof… Não tenho vergonha em dizer-lhes a eles: Tenham vergonha”.
Em declarações ao Notícias ao Minuto, José Feliciano da Costa, dirigente da Fenprof, adiantou que a estrutura sindical vai mesmo avançar com uma queixa na Procuradoria-Geral da República (PGR) para pedir a abertura de um inquérito ao processo de correção dos exames. A queixa será entregue às 9h00 de sexta-feira, 17 de julho, no mesmo dia da afixação das classificações.
Sublinhe-se que o Ministério da Educação, Ciência e Inovação anunciou, na terça-feira, que o prazo para a classificação dos exames nacionais seria estendido por mais 24 horas, até esta quarta-feira. No entanto, garantiu que a afixação dos resultados não sofrerá alterações e mantém-se agendada para sexta-feira, 17 de julho.
“De forma a garantir todas as condições de rigor exigidas no processo de avaliação externa, na quarta-feira prosseguirá a classificação dos exames que não estejam classificados até ao final do dia de hoje”, lê-se numa nota enviada às redações.
Os professores classificadores dos exames nacionais do ensino secundário tinham até às 23h59 de terça-feira para concluir a correção de todos os itens atribuídos.
Quanto às respostas ainda por classificar, o MECI explica que resultam, sobretudo, de novas digitalizações após detetadas falhas de digitalização, reclassificações de itens que já tinham sido avaliados, mas foi necessário corrigir a folha de enunciado ou de continuação, ou atrasos na entrega das provas por parte das escolas.
As falhas foram identificadas no âmbito de um processo de verificação e validação do sistema, que procurou, segundo o ministério, “garantir que os itens entregues aos professores para classificação estavam completos, correspondendo às respostas dadas pelos alunos nos exames em papel”.
Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário estão a ser corrigidos em formato digital, mas o processo tem registado falhas técnicas desde o início e, devido aos constrangimentos, o MECI adiou os prazos inicialmente previstos.

Fenprof leva exames à PGR e lança dúvidas sobre as notas: “Muitas falhas”
José Feliciano da Costa, dirigente da Fenprof, revelou que a estrutura sindical fará queixa à PGR e que esta será entregue na sexta-feira de manhã. Ao Notícias ao MInuto, o dirigente antevê que os pedidos de reapreciação dos exames aumentem. “Eu faria isso”, sublinhou.
Ana Teresa Banha | 22:59 – 15/07/2026



