Na informação divulgada hoje, os economistas do FMI afirmam que o encerramento do estreito de Ormuz retirou do mercado cerca de 20 milhões de barris de crude por dia, o equivalente a 20% do consumo mundial, mas que os preços do petróleo acabaram por estabilizar entre 90 e 100 dólares por barril, abaixo do que muitos analistas temiam.
“Menor procura, maior produção e recurso às reservas impediram um aumento mais acentuado dos preços. Uma recuperação rápida da oferta é essencial para evitar mais danos na economia mundial”, alertou a organização.
Segundo o FMI, até ao final de maio mais de 1,1 mil milhões de barris de crude – o equivalente a cerca de 10 dias de consumo global normal – não chegaram ao mercado.
“Na mesma fase da perturbação, o défice ultrapassava os registados no choque petrolífero de 1973, na guerra Irão-Iraque e na Guerra do Golfo”, lê-se na informação disponibilizada.
O FMI identificou três fatores principais que permitiram amortecer o impacto inicial da crise.
O primeiro foi a contração da procura, sobretudo na Ásia, onde os preços mais elevados levaram à redução do consumo e à substituição parcial por carvão e energias renováveis.
“A procura no setor dos transportes revelou-se mais rígida, em parte devido a tetos nos preços dos combustíveis, subsídios e reduções fiscais que contiveram o impacto – mas a um custo orçamental”, assinalaram os economistas.
O segundo fator foi a subida da produção fora do Golfo, que “aumentou mais do que o esperado, em quase 2 milhões de barris por dia acima dos níveis de 2025”, com os Estados Unidos a liderarem, seguidos pela Venezuela, Guiana e Rússia.
Por fim, as reservas estratégicas e comerciais compensaram grande parte do défice.
“O défice estimado do mercado, de cerca de 4 milhões de barris por dia entre março e maio, foi coberto quase integralmente através da redução das reservas globais, incluindo inventários comerciais na China e reservas estratégicas”, indicou o fundo internacional.
Ainda assim, a instituição admite que um eventual acordo entre os Estados Unidos e o Irão para reabrir o estreito de Ormuz já provocou uma descida dos preços do petróleo, uma vez que o crude retido em navios-tanque no Golfo poderá regressar rapidamente ao mercado.
No entanto, alertou que persistem várias incertezas.
“Ainda é incerto quando a liberdade de navegação através da mais importante via petrolífera do mundo será efetivamente restaurada e com que rapidez o transporte marítimo, os seguros e a confiança dos operadores acompanharão essa reabertura”, salientou a organização.
As estimativas do setor apontam para dois a três meses até que uma parte significativa dos fluxos de petróleo possa ser retomada após a reabertura total da via marítima.
Para os responsáveis políticos, o fundo destaca três lições principais: a necessidade de repor as reservas, a importância de diversificar fontes e rotas energéticas, incluindo as renováveis, e limitar os apoios aos consumidores a grupos mais vulneráveis e temporariamente.
“As reservas são essenciais. Reconstruí-las é indispensável para preparar futuros choques”, referiu o documento.
O FMI concluiu que a flexibilidade dos mercados energéticos e as respostas rápidas das autoridades deram tempo à economia mundial, mas avisa que esse espaço de manobra está a diminuir.
“À medida que as tensões voltam a aumentar no estreito de Ormuz, essa margem é agora menor e continua a diminuir, porque a capacidade excedentária foi utilizada, a procura foi comprimida e as reservas foram reduzidas”, referem os autores.
“Sem a reposição das reservas, o mundo partirá de uma posição mais fraca quando surgir o próximo choque”, conclui o FMI.
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