Os últimos dias têm sido, mais uma vez, reflexo do impacto das declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, nos mercados, basta olhar para o que aconteceu esta semana com o petróleo. Afinal porque que isto acontece? João Cruz, analista de mercados da XTB, explicou ao Notícias ao Minuto que é tudo uma questão de aversão ao risco.
“A razão pela qual o mercado do petróleo reage tão depressa às declarações de Donald Trump, mesmo quando ele muda frequentemente de opinião, resume-se a uma regra de ouro do mundo financeiro: os mercados vivem de adivinhar o futuro (expetativas) e têm pânico de correr riscos“, esclareceu o analista.
Relativamente ao petróleo, que disparou esta semana no seguimento das declarações de Trump, João Cruz lembrou que os “EUA são o maior produtor de petróleo do mundo e têm um poder enorme na política global”, pelo que, “quando um líder com este peso faz uma declaração, mesmo que seja apenas uma ameaça ou uma opinião passageira, os investidores não se podem dar ao luxo de esperar para verificar a sua veracidade“.
Na quarta-feira, recorde-se, o preço do barril do Brent disparou depois de Donald Trump ter afirmado que o cessar-fogo com o Irão acabou e ter apelidado os líderes iranianos de “escumalha” e mentirosos.

Petróleo dispara após Trump declarar fim do cessar-fogo com Irão
O barril do Brent está a disparar mais de 6%, depois de o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, ter afirmado que o cessar-fogo com o Irão acabou e apelidou os líderes iranianos de “escumalha” e mentirosos.
Beatriz Vasconcelos com Lusa | 09:48 – 08/07/2026
Reação ao milissegundo?
“No mundo financeiro, a imprevisibilidade não afasta a atenção; pelo contrário, a incerteza gera medo de perder dinheiro. Se Donald Trump sugere que vai aplicar sanções a um país produtor, o mercado assume logo que poderá haver menos petróleo no mundo daqui a uns meses. Para se protegerem, os investidores aceleram para comprar petróleo imediatamente, fazendo o preço disparar na hora. Caso o presidente norte americano mude de ideias no dia seguinte, o preço volta a ajustar-se, mas ninguém quer arriscar pagar mais caro por ter aguardado”, esclareceu o analista.
Há ainda outro detalhe importante: “A juntar a este fator humano, há a tecnologia. Atualmente, a maior parte das negociações de petróleo é feita por computadores programados para reagir ao milissegundo. Estes sistemas automáticos detetam palavras-chave nas redes sociais ou nas notícias, e compram ou vendem milhões de barris de forma instantânea“.
Reagir primeiro, pensar depois
João Cruz explicou ao Notícias ao Minuto que o “mercado, essencialmente, reage primeiro e pensa depois“.
“Por outro lado, mesmo sem uma confirmação que o conflito tinha terminado, simplesmente porque havia um cessar-fogo e uma expectativa de que o estreito voltasse ao normal funcionamento, o preço do petróleo recuou para valores antes do conflito. Mais uma vez o mercado a antecipar o futuro: quando nova informação é incorporada, o preço reage instantaneamente“, esclareceu.
O analista acrescentou que, “para o consumidor comum, este nervosismo constante funciona como um espelho imediato: o receio do que pode acontecer amanhã dita o preço do barril hoje e é essa pressa dos mercados em protegerem-se que acaba por ditar se a fatura do combustível irá subir ou descer no próximo abastecimento do automóvel“.
Aliás, tendo em conta o que aconteceu esta semana com o barril do Brent, já é certo que os preços dos combustíveis vão ficar mais caros no início da próxima semana, o que até já levou o Governo a manifestar preocupações relativamente a este impacto na carteira dos portugueses.
Governo preocupado com impacto das tensões no preço dos combustíveis
O Governo vê “com preocupação” o impacto económico do ressurgimento de tensões no Médio Oriente, dados os novos ataques norte-americanos e iranianos, admitindo a “situação bastante incerta e volátil”, nomeadamente para os preços dos combustíveis.
Lusa | 15:05 – 09/07/2026
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