Mais de mil pessoas foram detidas numa operação contra o tráfico humano à escala mundial levada a cabo pela Interpol, com a colaboração da Europol, que abrangeu 59 países.
Segundo a BBC, a operação visou dois esquemas: de tráfico de vítimas no Camboja e ainda um esquema nas redes sociais que visava recrutar raparigas menores para trabalho sexual na Europa.
Do esquema do Camboja, a Polícia Federal do Brasil conseguiu identificar 406 vítimas, sendo que 83 eram brasileiras e as restantes estrangeiras. Os visados eram traficados para o Camboja, enganados por uma proposta de trabalho que acreditavam ser legítima, onde depois eram forçados a participar em esquemas de burlas online.
Foram também identificadas duas crianças bolivianas, vítimas de tráfico, que eram obrigadas a trabalhar numa mercearia. Foram resgatadas pela polícia argentina.
Quanto ao esquema das redes sociais, as autoridades belgas detiveram 17 pessoas suspeitas de manter uma rede de tráfico que mantinha em cativeiro vítimas recrutadas através das redes. Após serem sequestradas, eram forçadas a participar em redes de prostituição na Bélgica e em França.
Ao todo, as autoridades contabilizaram 2.070 vítimas e possíveis vítimas dos esquemas, sendo que a esmagadora maioria eram mulheres, traficadas para exploração sexual. Outros 20% foram forçadas a praticar atividades criminosas, 11% forçadas a trabalhar e 2% forçadas a mendigar.
Durante a operação, as autoridades identificaram também uma tendência emergente de vítimas da América Latina usadas para trabalho forçado na Europa. Cerca de 10% delas eram menores e foram sujeitas a exploração sexual.
Dos detidos, 334 são acusados de tráfico humano e os restantes 690 por crimes relacionados como trabalho forçado, criminalidade e mendicidade forçada (quando é usada coerção para obrigar vítimas a pedir esmola).
O secretário da Interpol, Valdecy Urquiza, afirmou que o tráfico de seres humanos continua a ser “uma das formas mais lucrativas e generalizadas” de crime organizado, gerando milhares de milhões em receitas ilícitas todos os anos.
Urquiza salientou que este tipo de crime causa “danos graves e duradouros às vítimas”, referindo que os resultados da operação “demonstram o que é possível alcançar quando os países trabalham em conjunto para desmantelar redes criminosas e reforçar a cooperação entre regiões”.
A operação decorreu entre 8 e 12 de junho e contou com a participação de 40 mil agentes do Reino Unido, Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha, Nigéria, Tailândia e Vietname.
As vítimas identificadas na operação foram encaminhadas para serviços nacionais de proteção e apoio. Após as diligências foram abertas 465 investigações e identificados 201 suspeitos adicionais.
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