“Não compreendo como é que, nestes momentos de dor para a Venezuela, de luto nacional (…), há quem se atreva a planear possíveis explosões sociais”, disse, durante uma cerimónia de comemoração da independência do país em Fuerte Tiuna, um enclave militar em Caracas.
“Aqui, não haverá explosão social. Aqui, o que existe é uma profunda solidariedade social entre o nosso povo”, sublinhou.
Nas zonas devastadas pelos terramotos, onde ainda se procuram sobreviventes e há milhares de desaparecidos, muitos residentes têm manifestado a sua indignação relativamente à resposta do Governo.
Para responder às acusações de que as Forças Armadas não ajudaram nas procuras e resgates, Delcy Rodríguez ordenou hoje a criação de uma nova unidade militar para fazer face a emergências e desastres.
“Ordenei ao Ministério da Defesa a criação de uma força especial de emergência para responder a desastres desta natureza, que terá o nome do grande marechal de Ayacucho, António José de Sucre”, anunciou.
Pelo menos 3.342 pessoas morreram e 16.740 ficaram feridas na sequência dos dois terramotos — de magnitude 7,2 e 7,5 na escala de Richter -, que foram dos mais fortes e devastadores da América Latina.
Mais de 16 mil pessoas estão desalojadas e 856 edifícios foram danificados, informou também o ministério.
Os dois sismos decorreram com 39 segundos de intervalo e afetaram principalmente o norte da Venezuela, mergulhando o país em luto e desespero enquanto as pessoas procuram os seus entes queridos, vivos ou mortos.
Em La Guaira, a zona mais atingida, a 40 quilómetros da capital, edifícios inteiros ficaram reduzidos a escombros.
Segundo a ONU, o número de mortos pode chegar aos 50 mil, enquanto outras estimativas apontam para cerca de 10 mil.
Muitas vítimas ainda estão sem casa ou abrigadas em parques, sem esperança para o futuro e algumas máquinas pesadas tentam demolir estruturas já desabadas e remover as lajes de betão dos edifícios, enquanto uma boa parte está parada por falta de combustível.
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