Após a violação e assassinato de uma criança de 11 anos, há um mês, várias organizações feministas e de defesa dos direitos de menores convocaram a marcha em Paris, entre a Bastilha e a Praça da Nação, contando com milhares de pessoas, sobretudo mulheres.
Pelos cartazes entre a manifestação distinguiam-se apelos a uma “lei integral” e à culpa do “patriarcado”, a favor da Justiça e pela “morte à cultura de violação”, esta última escrita no peito de uma ativista do grupo Femen.
As organizações não-governamentais que convocaram as manifestações lamentaram que perto de 94% das denúncias por violação acabem arquivadas pela Justiça, com a Classés sans suíte a exigir “que a sociedade avance para um modelo mais inclusivo e que permita prevenir” novos casos.
“O desafio é também formar profissionais e os jovens do futuro, os adultos do futuro, para que deixe de haver violência sexista e sexual”, declarou a secretária-geral da organização, Clémence Andrieux, à emissora France Info.
O corpo de Lyanna, menina de 11 anos que desapareceu a 29 de maio à saída da escola em Fleurance, apareceu sem vida cinco dias depois num silo agrícola, com sinais de violação e assassinato, levando a uma petição assinada por 340 mil pessoas a pedirem uma lei integral contra a violência sexual.
De resto, foi detido o pai de uma amiga da criança, no dia seguinte ao desaparecimento, e foi desde então tornado público que Jérôme Barella, de 41 anos, já havia sido objeto de denúncias de pedofilia, que nunca foram investigadas.
O caso reacendeu as reivindicações por leis mais consequentes e por uma Justiça mais rápida, lembrando Andrieux que em França há “poucos recursos quando comparada aos vizinhos europeus”, o que lava a uma acumulação de casos por tramitar.
“Este Governo, e os futuros governos, devem colocar meios à disposição e dotar a Justiça, também de pessoas”, acrescentou.
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