O presidente da RN, Jordan Bardella, confirmou nas redes sociais que “desde o início desta manhã estão a ser realizadas buscas nos escritórios e residências de profissionais de comunicação que trabalharam” com o partido.
Entre os locais alvo de buscas, segundo o jornal francês Le Monde, estão os escritórios da GUD Connexion, empresa que colabora frequentemente com as campanhas da RN como fornecedor, e a casa do seu fundador, Paul-Alexandre Martin.
O número de buscas e os países envolvidos não foram especificados pela EPPO.
Segundo o Le Monde, as buscas decorreram em França, Espanha, Itália e Bélgica.
Em comunicado, a EPPO especificou que está “atualmente a conduzir diligências de investigação em França e noutros países europeus no âmbito de uma investigação em curso sobre a utilização de fundos europeus por um antigo grupo político no Parlamento Europeu entre 2019 e 2024”.
Este organismo independente da UE, encarregado de combater a fraude com fundos europeus, foi alertado por um relatório da Direção-Geral dos Assuntos Financeiros do Parlamento Europeu, anunciando a abertura de uma investigação em julho de 2025.
O relatório indicava que a RN, juntamente com os seus parceiros no antigo grupo ID como a Liga de Matteo Salvini, era suspeita de ter “gasto indevidamente” fundos europeus no valor de mais de 4,3 milhões de euros, entre 2019 e 2024.
De acordo com o documento, a maior parte do montante beneficiou duas empresas – as agências de comunicação e-Politic e Unanime – ligadas a associados de Marine Le Pen: o seu antigo assessor Frédéric Chatillon e a sua esposa Sighild Blanc.
Isto embora o partido francês não detivesse a presidência nem o secretariado-geral do ID durante esse período.
O grupo ID dissolveu-se após as eleições para o Parlamento Europeu de 2024, e quase todos os seus membros fundiram-se no grupo Patriotas pela Europa.
A dissolução seguiu-se a várias polémicas, nomeadamente a expulsão do AfD (Alemanha) em maio de 2024, na sequência de declarações controversas de um candidato do partido.
Em França, Marine Le Pen e a RN já foram julgados e condenados pelo uso indevido de fundos do Parlamento Europeu num caso separado.
O caso, que levou à cassação do mandato de Le Pen no ano passado, está em fase de recurso, estando a decisão prevista para 07 de julho.
O jornal Le Canard Enchaîné adiantou estar iminente abertura de um inquérito judicial a Bardella, após uma queixa apresentada por uma associação de ativistas.
Esta, segundo o responsável da RN, é referente a um trabalho que exerceu “durante alguns meses no Parlamento Europeu (…) há quase doze anos”.
Esta eventual nomeação de um juiz de instrução, como desejado pela associação anticorrupção Anticor, que apresentou a acusação, abriria uma nova frente jurídica para a RN.
A Anticor pretende que o líder do partido da direita nacionalista francesa responda pelas suas atividades durante os quatro meses e meio de 2015 em que trabalhou como assistente parlamentar do eurodeputado Jean-François Jalkh.
A associação solicita ainda que um juiz de instrução investigue a falsificação de documentos produzidos por Jordan Bardella e seus associados para comprovar o seu trabalho.
“Como sempre, os processos judiciais antecipam o calendário eleitoral. (…) Não temos nada a censurar e vamos prová-lo”, declarou Bardella.
As próximas eleições presidenciais francesas estão agendadas para abril de 2027 e a RN lidera atualmente as sondagens.
Uma outra investigação do Ministério Público Europeu relativa a Bardella foi revelada em maio, desencadeada por um artigo a imprensa e, posteriormente, por uma queixa contra pessoas não identificadas apresentada em Paris pela associação Anti-Corrupção.
A associação suspeita que a RN tenha utilizado fundos europeus para treino de imprensa aos seus membros, incluindo Bardella, durante a campanha presidencial francesa de 2022.
O eurodeputado era então o presidente interino do partido, tendo desempenhado um papel ativo na campanha de Marine Le Pen.
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