João Galamba, ex-ministro das Infraestruturas e ex-secretário de Estado da Energia, criticou a estratégia para armazenar energia apresentada hoje pelo Governo, descrevendo-se “boquiaberto” e afirmando que o Executivo só se pode “ter enganado no que foi dito”.
“Ainda estou boquiaberto com o que o Governo apresentou hoje na energia, porque só se podem ter enganado no que foi dito”, começou por escrever o antigo governante na rede social X. “Passaram meia hora a dizer coisas muito acertadas — que é necessário investir muito em baterias para segurança do sistema, que para que isso aconteça é necessário remunerar o investimento realizado. Depois, passaram meia hora a garantir que nada disso irá acontecer.”
Segundo João Galamba, o Governo de Luís Montenegro “não só não propõe nenhum pagamento por capacidade a quem investe em armazenamento, como avança com proposta inversa: pagamento do investidor ao sistema elétrico e municípios”, o que “não permite que haja investimento”.
Governo não só não propõe nenhum pagamento por capacidade a quem investe em armazenamento, como avança com proposta inversa: pagamento do investidor ao sistema elétrico e municípios. De acordo com primeira parte da apresentação do governo, isto não permite que haja investimento
— Joao Galamba (@Joaogalamba) June 29, 2026
O ministro das Infraestruturas de António Costa repara ainda que, de acordo com o anúncio feito hoje pela ministra do Ambiente e Energia, o Governo “pretende um volume nulo de investimento em baterias em Portugal”.
“Como mercado é ibérico e as baterias têm de entregar 2.5% das receitas anuais aos municípios, o resultado será: ninguém investe em Portugal, porque pode fazê-lo em Espanha, pagando zero”, afirma Galamba.
O Governo apresentou esta segunda-feira uma estratégia para armazenar energia com recurso a baterias e a bombagem hídrica com a qual pretende colmatar períodos de défice, alcançar uma maior soberania e contribuir para a estabilização dos preços.
A Estratégia Nacional de Armazenamento, elaborada com base em estudos do INESC-TEC e do Instituto Superior Técnico, vai ainda entrar em consulta pública e na parte que diz respeito ao armazenamento hídrico carece de autorização de Bruxelas, disse a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

Portugal vai começar a armazenar energia com baterias e bombagem hídrica
O Governo apresentou hoje uma estratégia para armazenar energia com recurso a baterias e a bombagem hídrica com a qual pretende colmatar períodos de défice, alcançar uma maior soberania e contribuir para a estabilização dos preços.
Lusa | 15:50 – 29/06/2026



