O antigo ministro do PSD, Miguel Poiares Maduro, afirmou que um Pacto na Saúde poderá ser uma “jogada extremamente arriscada” por parte do Presidente da República, António José Seguro. No entanto, destaca que se Seguro for bem sucedido, “será uma marca muito grande”, uma vez que “é uma nova forma de exercício dos poderes presidenciais”.
“Esta é uma jogada extremamente arriscada do Presidente da República. Se funcionar, pode dar imensos créditos, mas, se não funcionar, será também uma forte derrota política do Presidente”, começou por dizer no programa da Renascença, Conversa de Eleição.
Na ótica de Poiares Maduro, António José Seguro está a fazer as coisas diferente quando comparado com o seu antecessor, Marcelo Rebelo Sousa.
“Ele [António José Seguro] assume a liderança da procura desse pacto para a Saúde, atribuindo a alguém a responsabilidade de liderar, de promover, incluindo dos partidos políticos, esse compromisso em matérias políticas de saúde. Logo, se não o conseguir, terá uma grande responsabilidade nessa matéria, será ele [Seguro] a face desse fracasso”, continuou.
Ainda assim, Poiares Maduro destacou que, por outro lado, o Presidente da República “empresta um enorme capital político”. “Também é verdade que, em particular àquele que está no Governo e a um dos principais partidos da oposição que é o PS, por ser também o partido de origem do Presidente, vai tornar muito mais difícil a esses partidos não colaborarem ativamente na procura desse compromisso e, portanto, isso aumenta a chance de sucesso”, explicou.
Miguel Poiares Maduro reiterou que lhe parece “jogada extraordinariamente arriscada de um lado ou de outro”.
“Se for bem sucedido, será não apenas uma vitória política relativamente a essa matéria, mas também será uma marca muito grande porque é uma nova forma de exercício dos poderes presidenciais”, salientou.
Já por outro lado, “se não for bem sucedido, é uma derrota importante logo no início do exercício do seu mandato presidencial”.
Adalberto Campos Fernandes escolhido para coordenar Pacto
De recordar que o Presidente da República escolheu o médico e antigo ministro Adalberto Campos Fernandes para coordenar a construção de um Pacto Estratégico para a Saúde. A designação foi anunciada na página oficial da Presidência da República no dia 24 de abril.
A designação de Adalberto Campos Fernandes foi anunciada através de uma nota na página oficial da Presidência da República.
O chefe de Estado afirma que “a capacidade e o percurso do professor Adalberto Campos Fernandes”, médico especialista em saúde pública, que foi ministro da Saúde entre 2015 e 2018, “são garantia bastante de que estará à altura do desafio”.
“Como definido em campanha eleitoral, e tendo presente a magistratura de influência do Presidente da República e a sua capacidade de mobilização de atores políticos e sociais, a Saúde é uma área prioritária do atual mandato presidencial, uma vez que constitui fundamento estruturante do contrato social português, consagrado na Constituição da República Portuguesa como direito universal e tendencialmente gratuito”, lê-se na nota.
Sublinhe-se que Adalberto Campos Fernandes reuniu-se com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, na semana passada. Também os partidos políticos têm avançado com os nomes que os irão representar neste processo.

Adalberto Campos Fernandes vai coordenar Pacto Estratégico para a Saúde
O Presidente da República escolheu o médico e antigo ministro Adalberto Campos Fernandes para coordenar a construção de um Pacto Estratégico para a Saúde. A designação foi hoje anunciada na página oficial da Presidência da República.
Lusa | 14:39 – 24/04/2026



