O Espelho d’Água do Memorial Lincoln, em Washington, nos Estados Unidos, tem sido um dos tópicos mais comentados na imprensa mas também nas redes sociais norte-americanas. Do suposto “azul como a bandeira americana”, a água rapidamente passou a verde, contrariando as ambições do presidente dos Estados Unidos. Mas, afinal, o que está a acontecer?
O que é o Espelho d’Água?
Ora, a “reflecting pool” (no nome original em inglês) foi inaugurada em 1923, tendo sido construída ao longo de cerca de um ano. Com 619 metros de comprimento, 51 de largura e chegando até a 1 metro de profundidade, a piscina foi desenhada pelo arquiteto Henry Bacon com o intuito de parecer uma superfície quase como um espelho, que iria refletir os monumentos à sua volta e o próprio céu.
Contudo, logo desde o início, o lago artificial deparou-se com um problema. A estrutura foi construída sobre uma zona de lodo instável, que ao longo dos anos se tem movido, causando fissuras no betão e, com isso, perdas de água cada vez maiores. Para além disso, o facto de a água permanecer estanque permitiu que o local se tornasse o habitat perfeito para algas – tornando a superfície refletora completamente verde.
Assim sendo, o Espelho d’Água tem sido um problema de várias administrações ainda antes de Donald Trump, contudo, foi o atual presidente norte-americano que decidiu encetar um plano para resolver o problema.
Trump anuncia renovações no início de abril
O anúncio de Trump surgiu a 9 de abril deste ano, com o presidente norte-americano a afirmar na rede social Truth Social que ia renovar o lago artificial.
“Disseram-nos que iria demorar anos a terminar este trabalho, e nós vamos demorar uma fração desse tempo, por uma fração do custo. E vai ser muito mais bonito do que no dia em que foi construído”, escreveu na sua rede social.
Pouco depois, a 23 desse mesmo mês, Trump anunciou numa conferência de imprensa na Sala Oval que os trabalhos já tinham começado. Nessa altura, a piscina já tinha sido drenada e os trabalhadores estavam a colocar um novo forro na estrutura para lhe conferir um “azul como a bandeira americana” quando novamente cheia.
A 7 de maio, Trump visitou a “reflecting pool”, acompanhado pelo secretário do Interior e o secretário da Defesa Nacional: “Nunca teve a cor que as pessoas quiseram”, disse o presidente na altura. “Mas agora vai ter uma cor fantástica”, garantiu, citado pelo Fast Company.
Trabalhos concluídos num dia… e no seguinte a água estava verde
Cerca de mês depois, a 4 de junho, Trump anunciava que as renovações estavam concluídas, e a 9 de junho a estrutura já estava novamente cheia, com cerca de 25,5 milhões de litros de água. Logo no dia seguinte, a 10 de junho, o Espelho d’Água começou a ficar verde. Na altura, o departamento do Interior alegou que a culpa era de “algas residuais nas linhas de abastecimento”, mas o certo é que a cor só se tornou cada vez mais intensa.
Nem uma semana depois, o mesmo departamento confessou que tinha dado instruções a equipas de limpeza para fazerem a manutenção da estrutura “para manter no Espelho d’Água não só cristalina, mas também limpa”.
A 19 de junho surgiu o primeiro relato, através da CNN, de que o material azul usado para conferir a cor que Trump tinha planeado estava a descolar-se e a vir à tona. Ao longo do fim de semana foram várias as fotografias que surgiram a mostrar pedaços desse material na superfície da água.
Donald Trump e os seus apoiantes foram rápidos a apontar dedos, afirmando que o que estava a acontecer era uma consequência de atos de vandalismo e que nada tinha que ver com as renovações realizadas.
Autoridades detiveram cinco pessoas por vandalismo
Aliás, na sexta-feira foi mesmo efetuada a primeira detenção nesse sentido, com o ex-atleta olímpico David Hearn a ficar cinco horas detido por danificar propriedade governamental. O antigo atleta garantiu que não destruiu nada e que apenas tocou num dos pedaços que se descolou do fundo.
Para além de Hearn, as autoridades dizem ter detido mais quatro pessoas e alertado outras cinco.
Dias depois da primeira detenção, a 21 de junho, Donald Trump regressava às redes sociais a anunciar que o lago artificial teria de voltar a ser completamente drenado para novas reparações.
“O trabalho vai ser iniciado imediatamente para arranjar o gravemente vandalizado Espelho d’Água”, afirmou.
O custo do projeto já ultrapassou os 14 milhões de dólares (quase 13 milhões de euros) e deve ainda aumentar com as novas reparações. Inicialmente, note-se, Donald Trump tinha afirmado que as obras iam ter um custo de apenas 1.8 milhões de dólares (cerca de 1.5 milhões de euros).
Pode ver imagens do Espelho d’Água nesta altura na nossa galeria.
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