A Al Jazeera, num comunicado divulgado no final do sábado, reiterou o seu apelo à comunidade internacional e às instituições jurídicas para que adotem “medidas urgentes e concretas que exijam a responsabilização dos funcionários israelitas envolvidos nestes crimes atrozes”
No ataque em que Wishah morreu, faleceram outros dois habitantes de Gaza, informaram as equipas de resgate da Defesa Civil, que se juntaram a outros seis mortos em ataques em toda a Faixa de Gaza, apesar do cessar-fogo, de acordo com dados do Ministério da Saúde.
Segundo o canal, o assassínio de Wishah, correspondente do serviço em árabe Mubasher, vem somar-se à morte de outros 11 profissionais da Al Jazeera assassinados por Israel em Gaza desde que este país iniciou a ofensiva militar em outubro de 2023, na sequência dos ataques do Hamas.
Entre eles, o irmão de Ahmed, Mohamed Wishah, também foi assassinado há meses por Israel num ataque com um drone contra o seu veículo na Cidade de Gaza, no qual morreu um segundo passageiro, conforme confirmado no passado dia 8 de abril pela Defesa Civil local e pelo próprio canal de televisão.
O Exército israelita alegou hoje em comunicado no X que Ahmed Washah atuava, além de jornalista, como “atirador furtivo do Hamas”, uma acusação semelhante à que fizeram contra o seu irmão em abril passado.
O exército israelita afirmou que Ahmed tinha sido morto durante um “ataque preciso” juntamente com dois combatentes do Hamas e que tinha servido como “atirador de elite” no movimento islamista palestiniano.
A Al Jazeera já rejeitou as acusações israelitas de que um dos seus jornalistas fosse membro do Hamas, enquanto a família e os colegas choram a morte do falecido no território palestiniano.
A emissora sediada no Qatar declarou em comunicado que “condena as acusações infundadas do exército de ocupação israelita, que procuram justificar os seus crimes contra jornalistas e operadores de câmara da Al Jazeera em Gaza, sendo o mais recente o assassínio do operador de câmara Ahmed Wishah”.
A Al Jazeera denunciou uma “campanha” israelita de divulgação de “alegações falsas e acusações infundadas contra os funcionários” da emissora, numa “tentativa óbvia e vã de justificar o ataque deliberado a jornalistas e operadores de câmara”.
Segundo o canal de televisão, Ahmed Wishah foi morto num ataque com drones no campo de refugiados de Bureij.
De acordo com um balanço da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) no final de 2025, mais de 220 jornalistas foram mortos por Israel em Gaza, dos quais pelo menos 70 no exercício das suas funções, desde o início da guerra, em outubro de 2023.
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