“A ministra tem estado este tempo todo concentrada numa das suas competências, que é ter sido a ministra do patronato e se continuar a querer ser ministra do patronato não terá muitas condições para continuar [no Governo]. O patronato também foi derrotado”, afirmou Paulo Raimundo em declarações à agência Lusa, no final da 11ª Assembleia da Organização Regional da Guarda do PCP, que decorreu hoje em Gouveia, Guarda.
Para o líder dos comunistas, o futuro de Palma Ramalho “dependerá da vontade do senhor primeiro-ministro”, mas desde que “queira exercer aquilo que lhe compete, que é ser ministra do Trabalho, Solidariedade e da Segurança Social”.
“Mas isto não é um problema de trabalho ou de personalidade, isto é um problema político. A ministra foi derrotada depois de se empenhar pessoalmente neste pacote laboral, agora compete ao primeiro-ministro avaliar as condições que tem para continuar no Governo”, disse.
Logo na sexta-feira, dia do chumbo da lei laboral no parlamento, Luís Montenegro manifestou “confiança absoluta” na ministra do Trabalho, afirmando que a governante “mais não fez do que apresentar a posição do Governo” sobre o pacote laboral, e que se mantém “inamovível e intocável”.
O secretário-geral do PCP falou ainda do arranque do congresso do PSD para dizer que os sociais-democratas Luis Montenegro vivem “numa ilusão”, num país diferente do cidadão comum, agarrando-se a “um ou outro elemento positivo para fazer disso a atualidade”.
E exemplificou: “Portugal é o país com as maiores dificuldades de acesso à habitação. Portugal é um dos países com maiores aumentos dos preços dos alimentos e dos combustíveis. Portugal é o maior na concentração de riqueza pelos grupos económicos — são 30 milhões de euros lucros por dia para 19 grupos económicos, é uma injustiça brutal.”
“O senhor primeiro-ministro inaugurou, ontem, em Leiria, um hospital privado. Caramba, não é capaz de inaugurar um centro de saúde público porque não o consegue fazer. Ou seja, é outra realidade”, afirmou.
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